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Cultura

Madeleine à Paris: filme que conta a história de artista baiano foi exibido no Festival do Cinema Brasileiro, em Bordeaux

A história do multiartista brasileiro queer, andrógino, negro e de Candomblé, que há décadas encanta Paris com sua arte, encerrou o festival ontem, 2 de junho

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Robertinho (Foto: Daniel Zarvos )
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247 - Multiartista brasileiro queer, andrógino, negro e de Candomblé há mais de três décadas, Robertinho encanta Paris com sua arte. Nascido em Santo Amaro da Purificação (BA), Roberto Chaves é o protagonista do filme “Madeleine à Paris”, de Liliane Mutti. "Queer" é uma palavra usada em referência a quem não se identifica com gênero algum. 

“Madeleine à Paris” é um filme que mostra as dificuldades e conquistas de um imigrante latino na Europa, o sonho de um artista, os limites e as superações da vida. É sob o olhar sensível da cineasta - que há seis anos acompanha seus passos -, que o protagonista entra em cena para contar sua história de resistência para o mundo todo. O filme terá sua pré-estreia internacional no 26º Festival do Cinema Brasileiro, ontem, 2 de junho, encerrando o evento que aconteceu  no Cinema Utopia Bordeaux. 

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As raízes transculturais tecem a trama que conta a caminhada de Robertinho, entre luzes, cores e plumas. A história desse personagem da vida real é mais do que um show, é um ato de resistência. 

“Ver minha própria vida nesse filme foi emocionante, uma redescoberta, onde revivi momentos do passado que me trouxeram até aqui. É muito gratificante ver os desafios e prazeres de tudo que passei, uma experiência mágica poder contar isso em um filme”, destacou Robertinho.  

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O artista, que foi convidado para ir à Paris pela primeira vez quando ainda era office boy no gabinete do então vereador de Salvador, GIlberto Gil, é o idealizador da mais importante tradição afro-brasileira na Europa, a “Lavagem de Madeleine”, que, há mais de duas décadas é símbolo da cultura brasileira no país. O cortejo da “Lavagem de Madeleine” acontece há 22 anos em Paris, inspirado na Lavagem do Senhor do Bonfim e abre o calendário do verão europeu. A festividade começa na Praça da República de Paris e vai até a Igreja da Madeleine, onde lava-se  as escadarias da igreja. 

A celebração reúne a cada ano cerca de 60 mil pessoas, seguindo o trio-elétrico puxado por Carlinhos Brown e Roberto Chaves. Franceses, brasileiras e brasileiros, pessoas de diferentes nacionalidades, misturam-se nas ruas da capital francesa dançando ao ritmo dos atabaques. A lavagem integra ainda, a Rota dos Escravizados da UNESCO.

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No filme, assistimos Robertinho como um orixá do cortejo da Lavagem e à noite, a outra faceta, com sua fantasia e performance de arlequim, no Cabaré Paradis Latin, onde começou a trabalhar há 33 anos. Em um sincretismo rítmico, particular e singular, Robertinho circula entre o tradicional catolicismo francês e sua origem de Axé, do recôncavo baiano, de quem cresceu sob a guarda e benção de Dona Canô, mãe de Caetano Veloso e Maria Bethânia. Entre uma edição da Lavagem e outra, ele viaja ao Brasil em busca de suas raízes familiares e espirituais.  Suas vivências entre os dois países, entre o masculino e o feminino, o sagrado e o profano, fazem do filme um profundo mergulho em busca da sua identidade.

“Madeleine à Paris é um road movie afro-queer entre Paris e Santo Amaro da Purificação, na Bahia”, conta Liliane Mutti, que coloca as duas cidades em diálogo no seu filme. “Essas duas cidades aparentemente tão opostas, são co-protagonistas do longa. Viajar por Paris no olhar desse imigrante ou pelo interior da Bahia na sua volta às raízes, nos dá a dimensão de como o mundo é diverso e de que a arte carrega a potência de romper fronteiras e inventar novos mundos possíveis”, destaca Liliane, que também aposta que esse é um filme pós-colonial: “a festa também é lugar de luta”.

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O filme está previsto para chegar às telas dos cinemas brasileiros ainda em 2024, com distribuição da Bretz Filmes (BR). A obra é uma realização da produtora baiana Toca Filmes, com produção associada na França de François Combin (Urubu Filmes). Dirigido por Liliane Mutti (“Miúcha, a voz da Bossa Nova”; “Salut, mes ami.e.s !”; “Elle, Marielle Franco”), o filme tem direção de fotografia de Daniel Zarvos, que também assina a produção executiva, com narração do ator francês Christopher Ecobichon.

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