Morre aos 78 anos Raimundo Carrero, escritor pernambucano que criou a lenda da Perna Cabeluda
Escritor pernambucano integrante do Movimento Armorial faleceu após enfrentar um câncer
247 - O escritor, jornalista e colunista Raimundo Carrero morreu na madrugada desta terça-feira (16), aos 78 anos, em decorrência de um câncer. A informação foi divulgada pelo Diario de Pernambuco, jornal ao qual Carrero esteve ligado durante grande parte de sua trajetória profissional e onde atualmente assinava a coluna Diario Cultural.
Considerado um dos mais importantes nomes da literatura brasileira contemporânea, Raimundo Carrero construiu uma obra marcante, reconhecida pela profundidade narrativa e pela forte conexão com a cultura nordestina. Sua produção literária influenciou gerações de escritores e consolidou seu nome entre os principais representantes do Movimento Armorial, idealizado por Ariano Suassuna a partir da década de 1970.
Em nota, a família agradeceu as manifestações de apoio recebidas após a morte do escritor. “Ao longo de sua vida, Raimundo dedicou-se à literatura com paixão, sensibilidade e compromisso, construindo uma obra que marcou gerações de leitores e contribuiu de forma significativa para a cultura pernambucana e brasileira”, destacou o comunicado.
O velório será realizado na sede da Academia Pernambucana de Letras, no Recife. Até o momento, o horário da cerimônia não havia sido divulgado.
Trajetória literária marcada por obras premiadas
Natural de Pernambuco, Carrero deixou uma extensa produção literária que atravessou décadas e conquistou reconhecimento nacional. Seu romance de estreia, A História de Bernarda Soledade: A Tigre do Sertão, publicado em 1975, tornou-se uma das obras mais emblemáticas de sua carreira. O livro narra a trajetória de uma mulher sertaneja que enfrenta o poder dos coronéis e desafia as estruturas tradicionais do sertão.Ao longo dos anos, publicou títulos que se tornaram referências na literatura brasileira, entre eles Viagem no Ventre da Baleia (1987), Maçã Agreste (1989), Sinfonia para Vagabundos (1992), O Amor Não Tem Bons Sentimentos (2000) e O Senhor Agora Vai Mudar de Corpo (2015).
Sua escrita, marcada por elementos psicológicos, simbólicos e regionais, ajudou a consolidar uma identidade literária própria, frequentemente associada ao universo cultural nordestino e às propostas estéticas do Movimento Armorial.
Carreira no jornalismo e ligação histórica com o Diario de Pernambuco
A trajetória profissional de Raimundo Carrero também esteve profundamente ligada ao jornalismo. Ele iniciou sua carreira no Diario de Pernambuco em 1969, quando ingressou como estagiário. Após dois anos de aprendizado, passou a atuar como crítico literário e, posteriormente, assumiu cargos de destaque na redação, incluindo o de editor-chefe.Neste ano, Carrero havia retomado sua presença nas páginas do jornal com a criação da coluna Diario Cultural, publicada nos fins de semana no caderno Viver. Ao comentar o retorno, demonstrou entusiasmo com o novo projeto.
“Estou muito feliz com essa coluna, bastante entusiasmado para compartilhar várias ideias com o leitor. Minha história no Diario é gigantesca, tanto de presença quanto de ausência. Posso dizer, sem vaidade nenhuma, que será um retorno triunfal”, afirmou em abril.
A origem da lenda da Perna Cabeluda
Além de sua contribuição literária, Raimundo Carrero também ficou associado a uma das mais conhecidas lendas urbanas de Pernambuco. Em 1975, após ouvir o relato de uma mulher que teria sido atacada por uma misteriosa perna cabeluda em São Lourenço da Mata, o escritor transformou a história em narrativa, ajudando a popularizar o personagem folclórico que atravessou gerações no imaginário recifense.
A lenda da Perna Cabeluda tornou-se um dos símbolos da cultura popular pernambucana e voltou recentemente ao centro das atenções ao inspirar produções audiovisuais, entre elas o filme O Agente Secreto.



