Scott Adams, criador de Dilbert, morre aos 68 anos
Autor enfrentava câncer agressivo de próstata
247 - Scott Adams, criador da tirinha Dilbert, morreu aos 68 anos, segundo comunicado divulgado em suas redes sociais oficiais. O cartunista havia anunciado em maio que fora diagnosticado com uma forma agressiva de câncer de próstata e, nos últimos meses, também enfrentava graves limitações físicas que o afastaram do desenho. As informações são da CNN.
A morte foi anunciada por Shelly Miles, ex-esposa de Adams, durante a edição de terça-feira do programa ao vivo “Coffee with Scott Adams”, que ele apresentava diariamente até seus últimos dias.
Durante a transmissão, foi lido um texto escrito por Adams no Dia de Ano-Novo, em tom de despedida. “Tive uma vida incrível”, escreveu. “Dei tudo o que tinha. Se algum benefício vier do meu trabalho, peço que vocês retribuam isso ao mundo da melhor forma possível. Esse é o legado que eu quero. Sejam úteis e saibam que amei todos vocês até o fim.”
Nascido em Nova York, Scott Adams trabalhou como caixa de banco entre 1979 e 1986, período em que chegou a ser rendido duas vezes por assaltantes armados, conforme relatou posteriormente. No mesmo ano, concluiu um MBA pela Universidade da Califórnia, em Berkeley, e passou a atuar como engenheiro na empresa telefônica Pacific Bell, experiência que serviu de base para o universo retratado em Dilbert.
A tira estreou em 1989 e passou a satirizar o cotidiano de escritórios corporativos, abordando com humor ácido a burocracia, a falta de sentido do trabalho e a ineficiência das chefias. O sucesso nacional só veio alguns anos depois, quando Adams decidiu concentrar a maioria das histórias no ambiente de trabalho do personagem principal. “Não era exatamente o que eu queria fazer, mas funcionou”, afirmou à Associated Press ao receber o prêmio Reuben, da National Cartoonists Society, em 1997.
Em entrevista à revista especializada EE Times, Adams explicou que sua vivência profissional foi determinante para o tom da obra. “Para o futuro de ‘Dilbert’, dá para dizer que o grupo em que eu estava era um ambiente cheio de alvos”, declarou em 2005, ao comentar o cenário corporativo que inspirou a tirinha.
O autor também atribuiu a popularidade do personagem à sua neutralidade visual e simbólica. “As pessoas não têm motivo para achar que aquilo não é exatamente como a experiência delas”, disse à EE Times. “Por exemplo, há engenheiros e programadores convencidos de que Dilbert é um deles.”
Durante mais de três décadas, Dilbert esteve entre as tirinhas mais publicadas e lidas dos Estados Unidos, até fevereiro de 2023, quando comentários racistas feitos por Adams levaram centenas de jornais a suspender a publicação. Pouco depois, a distribuidora responsável também rompeu o contrato. Em resposta, o cartunista passou a publicar de forma independente uma nova versão, intitulada “Dilbert Reborn”, disponível por assinatura em seu site.


