Trump incita manifestantes iranianos a 'tomarem instituições'
Sem dar mais detalhes, presidente dos Estados Unidos diz aos opositores do regime iraniano que “a ajuda está a caminho”
247 - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, elevou nesta terça-feira (13) o tom contra o Irã ao publicar uma mensagem nas redes sociais incentivando manifestantes iranianos a intensificarem os protestos e a 'assumirem o controle das instituições' do país. A declaração ocorre em meio a um cenário de crescente tensão política, diplomática e militar entre Washington e Teerã, marcado por alertas de segurança, troca de acusações e mobilizações nas ruas iranianas.
Em postagem divulgada nesta terça-feira (13), Trump escreveu: “Patriotas iranianos, continuem protestando – assumam o controle de suas instituições! Guardem os nomes dos assassinos e abusadores. Eles pagarão um preço alto. Eu cancelei todas as reuniões com autoridades iranianas até que o assassinato sem sentido de manifestantes pare. A ajuda está a caminho. Miga!”. A mensagem foi publicada pelo próprio presidente norte-americano e rapidamente repercutiu no contexto da escalada de tensões entre os dois países. A sigla “MIGA” significa Make Iran Great Again, expressão em inglês que pode ser traduzida como “Tornar o Irã grande novamente”, numa adaptação do slogan político usado por Trump em campanhas anteriores, agora aplicado de forma provocativa à realidade iraniana.
As declarações de Donald Trump surgem um dia após o governo iraniano rechaçar publicamente ameaças militares feitas por Washington. Paralelamente, a administração norte-americana emitiu um alerta de segurança recomendando que cidadãos dos EUA deixem o Irã imediatamente. O comunicado foi divulgado nesta terça-feira (13) pela Embaixada Virtual dos Estados Unidos no Irã, sob o argumento de que os protestos no país estão em escalada, com registros de prisões e episódios de violência.
O alerta ocorre em um ambiente de agravamento das relações diplomáticas e políticas, no qual o Irã afirma estar preparado para qualquer iniciativa de Donald Trump. O clima de hostilidade também se manifesta de forma simbólica nas ruas de Teerã. Na capital iraniana, um outdoor exibindo caixões cobertos com bandeiras dos Estados Unidos e de Israel foi visto na segunda-feira (12), evidenciando o grau de tensão que acompanha a atual onda de protestos e o endurecimento do confronto retórico entre os países.
No mesmo dia, o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Irã, major-general Abdolrahim Mousavi, acusou os Estados Unidos e o regime israelense de fomentarem distúrbios violentos no território iraniano. Segundo ele, essas ações teriam como objetivo compensar a derrota sofrida na chamada guerra de 12 dias, travada em junho de 2025. As declarações foram feitas em uma mensagem divulgada nesta terça-feira (13), de acordo com a agência iraniana Tasnim News.
Na nota, Mousavi elogiou a população iraniana por “demonstrar sua grandeza” ao participar de grandes manifestações nacionais realizadas na segunda-feira (12), que, segundo o comando militar, tiveram como objetivo condenar tumultos e atos de violência registrados em várias cidades. De acordo com o major-general, os atos reforçaram o compromisso da sociedade iraniana com a Revolução Islâmica e com a defesa da ordem nacional.
O comandante das Forças Armadas afirmou ainda que terroristas do Daesh (ISIS), supostamente recrutados pelo regime sionista e pelos Estados Unidos e organizados pelas agências de inteligência Mossad e CIA, teriam cometido crimes graves contra o povo iraniano. Segundo Mousavi, esses grupos “vandalizaram propriedades públicas e privadas e mataram forças de segurança” durante os episódios recentes de instabilidade, aprofundando o quadro de tensão interna e externa enfrentado pelo país.


