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Chanceler iraniano expõe hipocrisia europeia e fala em "retaliar" a UE

Araghchi compara cumplicidade europeia com o genocídio em Gaza às respostas da UE aos conflitos no Irã

Seyyed Abbas Araghchi, chanceler do Irã (Foto: Chancelaria iraniana )

247 - O ministro das Relações Exteriores do Irã, Seyed Abbas Araghchi, fez duras críticas à União Europeia nesta terça-feira (13), acusando o bloco de adotar dois pesos e duas medidas ao lidar com crises internacionais. Em uma postagem pública, o chanceler comparou a ausência de ações efetivas da Europa diante do genocídio na Faixa de Gaza com a rapidez das sanções e restrições impostas ao Irã em meio aos protestos recentes no país.

Segundo Araghchi, a postura europeia revela uma contradição evidente entre o discurso de defesa dos direitos humanos e a prática política. Ele afirmou que a população internacional acompanha atentamente esses acontecimentos e percebe a seletividade das respostas adotadas por instituições europeias.

A manifestação do chanceler iraniano ocorreu no mesmo dia em que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, anunciou novas sanções contra autoridades iranianas.

Na publicação, Araghchi afirmou: “Mais de dois anos de genocídio em Gaza, que ceifaram a vida de 70 mil palestinos, não levaram o Parlamento Europeu a tomar nenhuma ação real contra Israel. Mesmo com Netanyahu sendo procurado por crimes de guerra pelo Tribunal Penal Internacional, ele voa livremente pelo espaço aéreo europeu. Em contraste, bastam apenas alguns dias de tumultos violentos no Irã para que o Parlamento Europeu proíba fisicamente nossos diplomatas. As pessoas não são estúpidas. Elas veem o que está acontecendo com seus próprios olhos. O Irã não busca inimizade com a União Europeia, mas retaliará qualquer restrição".

As declarações intensificam o embate diplomático entre Teerã e Bruxelas em um momento de forte tensão interna no Irã. De acordo com um alto funcionário iraniano ouvido pela Reuters, cerca de 2 mil pessoas, incluindo integrantes das forças de segurança, morreram durante os protestos e a repressão das últimas duas semanas. Foi a primeira vez que autoridades iranianas reconheceram publicamente um número tão elevado de vítimas.

O mesmo representante afirmou que grupos classificados como terroristas estariam por trás das mortes tanto de manifestantes quanto de agentes de segurança, sem detalhar a proporção entre civis e forças do Estado entre os mortos. Os protestos, motivados por graves dificuldades econômicas, são descritos como o maior desafio interno enfrentado pelo governo iraniano em pelo menos três anos, ocorrendo em meio ao aumento da pressão internacional após ataques israelenses e norte-americanos no ano anterior.

Em reação aos acontecimentos, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, declarou: “O número crescente de vítimas no Irã é horrível. Condeno de forma inequívoca o uso excessivo da força e a contínua restrição das liberdades. A União Europeia já incluiu o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica, em sua totalidade, em seu regime de sanções por direitos humanos. Em estreita cooperação com a alta representante Kaja Kallas, novas sanções contra os responsáveis pela repressão serão propostas rapidamente. Estamos ao lado do povo do Irã, que marcha corajosamente por sua liberdade".

O cenário internacional se tornou ainda mais complexo após o anúncio feito na segunda-feira (12) pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de tarifas de 25% sobre produtos de qualquer nação que mantenha relações comerciais com o Irã. Trump também afirmou que novas ações militares estão entre as opções consideradas para punir Teerã pela repressão aos protestos, tendo declarado anteriormente que os Estados Unidos estão “prontos para agir”.

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