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Wagner Moura desponta como forte candidato ao Oscar, aponta New York Times

Jornal americano destaca atuação em O Agente Secreto e avalia que brasileiro vive o momento mais decisivo da carreira internacional

Com O agente secreto, Kleber Mendonça Filho reafirma seu compromisso com obras que combinam crítica social (Foto: Divulgação)

247 - O ator brasileiro Wagner Moura surge como um dos nomes mais competitivos na disputa pelo Oscar de Melhor Ator, segundo avaliação do jornal americano The New York Times. Às vésperas da cerimônia do Globo de Ouro, marcada para este domingo (11), a publicação destacou o desempenho do artista em O Agente Secreto, longa dirigido pelo cineasta pernambucano Kleber Mendonça Filho, e apontou que especialistas do setor acreditam em uma indicação inédita do brasileiro à principal premiação do cinema mundial.

A informação foi divulgada pelo The New York Times, que publicou uma entrevista com Moura em meio à intensa temporada de premiações em Hollywood. De acordo com o jornal, “muitos especialistas acreditam que Moura receberá sua primeira indicação ao Oscar por este filme”, colocando o ator brasileiro entre os favoritos em um cenário que reúne alguns dos principais nomes do cinema norte-americano.

Na corrida pela indicação, Wagner Moura disputa espaço com atores como Leonardo DiCaprio, Timothée Chalamet e Michael B. Jordan. As indicações ao Oscar serão anunciadas no dia 22 de janeiro, enquanto a cerimônia de entrega das estatuetas está prevista para meados de março. Antes disso, o Globo de Ouro funciona como um termômetro importante, e Moura aparece como um dos favoritos na categoria de Melhor Ator.

Durante a entrevista ao jornal americano, o ator comentou sobre a intensidade da campanha por prêmios. “Essa campanha (ao Oscar e outras premiações) é intensa, não é?”, disse Moura ao NYT. O esforço, segundo a avaliação do próprio jornal, tem surtido efeito, já que o brasileiro figura entre os principais cotados para vencer o Globo de Ouro neste fim de semana.

Wagner Moura já havia participado da cerimônia do Globo de Ouro há cerca de dez anos, quando concorreu ao prêmio de Melhor Ator em Série Dramática por sua atuação como Pablo Escobar em Narcos, produção da Netflix. Desta vez, no entanto, a repercussão de O Agente Secreto representa um marco distinto em sua trajetória profissional.

Segundo o New York Times, o ator avalia que a possível indicação ao Oscar tem um peso simbólico maior por se tratar de um projeto profundamente ligado ao Brasil. “(O filme) é um projeto tão pessoal e especialmente brasileiro, e toda essa atenção internacional parece uma afirmação inesperada, mas adorável”, escreve o jornal. A publicação acrescenta que, “ao se manter fiel às suas convicções e escolher projetos idiossincráticos como O Agente Secreto, Moura agora parece frente ao maior acontecimento global de sua carreira”.

Além da temporada de premiações, a entrevista também abordou o conteúdo político e histórico do filme e sua relação com a memória recente do Brasil. Moura afirmou que O Agente Secreto dialoga com questões estruturais do país. “Esse é um filme sobre um país que tem um problema de memória”, disse o ator, ao comentar a anistia concedida a militares e ex-torturadores da ditadura militar em 1979. “Bolsonaro nunca teria acontecido sem essa lei (da anistia)”, concluiu.

Na avaliação do ator, o período do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro evidenciou contradições profundas da sociedade brasileira. “O Brasil é lindo, mas também é violento, elitista, misógino, homofóbico”, afirmou durante a entrevista. Para Moura, “Bolsonaro é uma manifestação de tudo isso”.

Com o reconhecimento crescente da crítica internacional e a forte presença na temporada de prêmios, Wagner Moura consolida-se como um dos principais representantes do cinema brasileiro no cenário global, em um momento que pode redefinir sua carreira e ampliar ainda mais o alcance de produções nacionais no circuito internacional.

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