China e Coreia do Norte buscam ampliar cooperação econômica
A cooperação econômica e comercial entre China e Coreia do Norte apresentou avanços importantes nos últimos anos
247 - A visita de Estado do presidente chinês, Xi Jinping, à República Popular Democrática da Coreia (RPDC), entre os dias 8 e 9 de junho, ocorre em um momento de fortalecimento das relações bilaterais, impulsionadas pela ampliação da cooperação econômica, cultural, educacional e dos intercâmbios entre os povos dos dois países. A reportagem é do Diário do Povo.
Esta é a primeira visita de Estado de Xi à Coreia do Norte em sete anos, realizada a convite de Kim Jong Un, secretário-geral do Partido dos Trabalhadores da Coreia e presidente dos Assuntos de Estado da RPDC.
O ano de 2026 marca o 65º aniversário da assinatura do Tratado de Amizade, Cooperação e Assistência Mútua entre China e Coreia do Norte. Nos últimos anos, sob a orientação estratégica das lideranças dos dois países, a tradicional relação de amizade e cooperação manteve um desenvolvimento estável e consistente.
Os intercâmbios em áreas como economia, cultura, educação e juventude têm produzido resultados significativos, beneficiando ambos os países e contribuindo para a paz e o desenvolvimento regional.
Cooperação econômica ganha impulso
A cooperação econômica e comercial entre China e Coreia do Norte apresentou avanços importantes nos últimos anos.
Em 4 de maio, foi inaugurada a 24ª Feira Internacional de Comércio da Primavera de Pyongyang, onde produtos chineses atraíram grande interesse dos visitantes norte-coreanos.
Durante o evento, o ministro das Relações Econômicas Exteriores da RPDC, Yun Jong Ho, visitou estandes de empresas chinesas e destacou os avanços do país em sua fase de desenvolvimento socialista. Ele afirmou esperar uma ampliação da cooperação bilateral em áreas como comércio e economia.
De acordo com estatísticas oficiais chinesas, o comércio bilateral alcançou US$ 2,735 bilhões em 2025.
A zona comercial de Guomenwan, localizada em Dandong, na província chinesa de Liaoning, tornou-se um dos principais pontos de intercâmbio econômico entre os dois países. Em 2025, a região registrou importações de 168 milhões de yuans (US$ 24,8 milhões) por meio do comércio fronteiriço, envolvendo cerca de 22 mil participantes.
Segundo Zhang Xu, representante da zona comercial, delegações chinesas participaram neste ano de exposições internacionais na Coreia do Norte e mantiveram negociações com mais de 30 empresas norte-coreanas.
Liang Tongjun, presidente da Câmara de Comércio da China na RPDC, afirmou que a entidade busca fortalecer a compreensão mútua entre os povos por meio da cooperação econômica e dos intercâmbios culturais.
Para Zhang Huizhi, vice-diretor do Centro de Estudos do Nordeste Asiático da Universidade de Jilin, a cooperação prática entre os dois países contribui para ampliar a integração regional e promover a estabilidade e a prosperidade do Nordeste Asiático.
Retomada das conexões entre os dois países
Os laços entre os povos também foram reforçados pela retomada das conexões de transporte.
Em 12 de março, um trem internacional de passageiros vindo de Dandong chegou a Pyongyang, marcando a retomada do serviço ferroviário internacional de passageiros entre os dois países.
Poucas semanas depois, em 30 de março, um voo da Air China procedente de Pequim pousou no Aeroporto Internacional de Pyongyang, simbolizando a retomada oficial das operações regulares de passageiros da companhia aérea chinesa entre as duas capitais.
Com isso, as conexões rodoviárias, ferroviárias e aéreas entre China e Coreia do Norte voltaram a funcionar.
Segundo a China State Railway Group, o trem internacional é não apenas um importante meio de transporte transfronteiriço, mas também um elo de amizade entre os dois povos, facilitando intercâmbios e contatos diretos.
Cultura aproxima os dois povos
Os intercâmbios culturais continuam sendo um componente importante da amizade sino-coreana.
Diversos filmes chineses receberam prêmios no Festival Internacional de Cinema de Pyongyang, enquanto grupos artísticos chineses participam regularmente do Festival de Artes da Primavera de Abril, realizado na Coreia do Norte.
O ano de 2024 marcou o 75º aniversário das relações diplomáticas entre os dois países e também foi celebrado como o Ano da Amizade China-Coreia do Norte.
Durante a cerimônia de abertura das comemorações, artistas dos dois países apresentaram espetáculos que destacaram suas tradições culturais e expressaram o desejo de preservar e fortalecer a amizade histórica entre os dois povos.
Intercâmbios educacionais e juventude
A cooperação educacional também tem se expandido.
A Grande Casa de Estudos do Povo, localizada na Praça Kim Il Sung, em Pyongyang, oferece há anos cursos de língua chinesa que atraem entre 600 e 700 estudantes por turma. Segundo a instituição, os moradores da capital norte-coreana demonstram grande interesse pelo aprendizado do idioma.
A professora chinesa Huang Li, da Universidade Liaodong, lecionou três vezes na Universidade de Estudos Estrangeiros de Pyongyang e já ensinou mais de mil estudantes.
Ela retornará à Coreia do Norte no segundo semestre deste ano e pretende oferecer, além das aulas de chinês, cursos voltados para economia, comércio, turismo e direito.
A Universidade de Ciência e Tecnologia de Pyongyang retomou em 2025 a aplicação do Exame de Proficiência em Chinês (HSK). Segundo a instituição, a meta é ampliar a cooperação acadêmica e o intercâmbio de talentos com universidades chinesas.
A professora Niu Xiao, da Universidade de Ciência Política e Direito de Xangai, participou em 2025 de um seminário acadêmico internacional na Universidade Kim Il Sung. Ela relatou ter observado avanços econômicos e sociais na capital norte-coreana, incluindo o aumento do número de automóveis particulares e a diversificação dos meios de pagamento.
No início de maio deste ano, 70 estudantes chineses bolsistas de 16 universidades chegaram a Pyongyang para iniciar seus estudos em instituições de destaque, como a Universidade Kim Il Sung e a Universidade de Educação Kim Hyong Jik.
Para Gu Dian, estudante da Universidade de Estudos Internacionais de Xangai, estudar na Coreia do Norte permite compreender mais profundamente a vitalidade da amizade tradicional entre os dois países.
Segundo ele, os estudantes chineses pretendem transformar a experiência adquirida na Coreia do Norte em ações concretas para fortalecer a amizade e garantir que os intercâmbios culturais e entre os povos sejam transmitidos às próximas gerações.




