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“Chinamaxxing” ganha força nas redes e redefine o interesse global pela cultura chinesa

Número crescente de internautas estrangeiros descreve estar em uma fase de “Chinamaxxing” — adotando modos de vida chineses

Turistas estrangeiros preparam bolinhos em um hotel em Sanmenxia, ​​na província de Henan, no centro da China (Foto: Sun Meng/Diário do Povo)

247 - Recentemente, uma tendência apelidada de “Chinamaxxing” vem ganhando força nas redes sociais no exterior. A forma como esse fenômeno é interpretado reflete diferentes atitudes em relação ao intercâmbio cultural, de acordo com reportagem do Diário do Povo

Um número crescente de internautas estrangeiros descreve estar em uma fase de “Chinamaxxing” — adotando modos de vida chineses. Um vídeo original marcado com a expressão “tornando-se chinês” ultrapassou um milhão de visualizações, enquanto práticas como preparar chás de bem-estar e realizar o exercício tradicional chinês de saúde Baduanjin tornam-se símbolos de um estilo de vida considerado “cool” entre jovens fora da China.

A tendência agora também avança para o mundo offline. Em mercados de Kuala Lumpur, na Malásia, o mamianqun, literalmente “saia face de cavalo”, traje tradicional chinês, tornou-se um dos itens mais vendidos. Na Itália, produtos do Festival da Primavera, como dísticos decorativos, recortes de papel e itens culturais temáticos do zodíaco, registram vendas aquecidas.

Cada vez mais pessoas acreditam que a melhor maneira de vivenciar o Chinamaxxing é visitar a China pessoalmente. Dados mostram que, durante o feriado do Festival da Primavera deste ano, o número de visitas turísticas internacionais ao país dobrou em relação ao ano anterior.

Alguns veículos de comunicação interpretam o fenômeno não como uma “encenação cultural”, mas como uma forma de “identificação subconsciente”. A cultura chinesa, segundo essas análises, possui plena capacidade de gerar esse tipo de ressonância.

Ao combinar história e modernidade, tradição e moda, a China oferece uma experiência cultural singularmente rica.

Na China atual, é possível desfrutar da conveniência de “resolver tudo com um único smartphone”. Ao mesmo tempo, modos tradicionais de vida permanecem vivos — marcados por atenção plena, em que os momentos cotidianos são vividos com cuidado e intenção. Infraestruturas modernas, como trens de alta velocidade e redes 5G, conectam o país, enquanto cidades menos conhecidas, consideradas “joias escondidas”, convidam à exploração tranquila. A inovação tecnológica de ponta convive com o artesanato paciente do patrimônio cultural imaterial.

À medida que visitantes internacionais interagem e vivenciam a cultura chinesa, o que começa como uma experiência considerada “cool” frequentemente evolui para reflexões mais profundas sobre estilos de vida, revelando a verdadeira essência e o apelo do intercâmbio cultural.

A ascensão do Chinamaxxing oferece uma nova lente para compreender a China. Houve um período em que equívocos e preconceitos sobre o país circularam amplamente em algumas sociedades ocidentais, moldando uma imagem distorcida da China. Hoje, porém, o desenvolvimento contínuo do país, sua maior abertura ao exterior e os avanços tecnológicos criaram as condições para o surgimento desse fenômeno.

À medida que mais pessoas têm contato direto com a China, sua compreensão sobre o país se aprofunda — ultrapassando símbolos culturais tradicionais e construindo uma visão mais nuançada. Essa mudança, sutil porém significativa, está reformulando percepções globais sobre a China.

Como observaram alguns analistas internacionais: “O que as pessoas veem no TikTok não é uma China estática e tradicional, mas moderna e confiante.” Em suas palavras, trata-se de “uma correção poderosa da imagem com a qual muitos cresceram”.

Ainda assim, superar preconceitos arraigados leva tempo. Embora mais jovens no exterior adotem hábitos como beber água morna com limão e mel, parte das sociedades ocidentais reage com desconforto e até ansiedade.

Esses grupos classificam o Chinamaxxing como uma forma de “choque cultural”, alegando que jovens estariam “traindo” suas próprias sociedades em termos estéticos, morais ou até políticos. Interpretar o intercâmbio cultural normal como “infiltração cultural” ou “invasão ideológica”, ou enquadrá-lo em narrativas geopolíticas, diz mais sobre essa mentalidade do que sobre a própria tendência. Tal visão torna-se cada vez mais incompatível com um mundo interconectado, no qual trocas entre civilizações são constantes.

Como observou o jornal britânico The Guardian, se adotar elementos de outras culturas — da estética chinesa às cozinhas rurais francesas — for considerado “traição”, então tais “traidores” estão por toda parte.

O intercâmbio cultural e o aprendizado mútuo entre civilizações não constituem um jogo de soma zero. A difusão global da cultura chinesa não depende de imposição ou doutrinação, mas de compartilhamento baseado em igualdade, respeito e participação voluntária.

À medida que mais pessoas ao redor do mundo se sentem naturalmente atraídas pela cultura chinesa, em vez de reagir com ansiedade desnecessária, talvez seja mais sensato — como sugeriu um comentarista — fazer uma pausa, relaxar e apreciar uma xícara de chá.

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