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ANP bate o martelo e se pronuncia sobre existência de petróleo em sítio de aposentado

Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) estudava as terras do aposentado

Testes indicaram que se trata de uma mistura de hidrocarbonetos com propriedades semelhantes às do petróleo extraído em terra na Bacia Potiguar  (Foto: IFCE)
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247 - A Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) confirmou que o líquido escuro encontrado em um sítio de Tabuleiro do Norte, no interior do Ceará, é petróleo cru. A substância foi localizada pelo agricultor Sidrônio Moreira durante uma perfuração feita em sua propriedade em busca de água.

As informações são do g1. Segundo a reportagem, a descoberta ocorreu em novembro de 2024, mas a confirmação oficial veio apenas em 19 de maio de 2026, após a conclusão de testes físico-químicos realizados pela ANP.

O resultado foi enviado nesta quarta-feira (20) ao proprietário do terreno e também encaminhado à Secretaria do Meio Ambiente e Mudança do Clima do Ceará (Semace). O órgão estadual poderá avaliar a necessidade de medidas ou orientações ao agricultor em relação a possíveis impactos ambientais.

A família de Sidrônio havia informado a ANP sobre o possível achado em julho de 2025. A agência só esteve no local em 12 de março de 2026, sete meses depois, após a repercussão do caso. Na visita, técnicos não coletaram uma nova amostra diretamente no poço, mas levaram material analisado anteriormente pelo Instituto Federal do Ceará (IFCE), que acompanha a situação desde o início.

O caso chamou a atenção dos técnicos porque o líquido surgiu em uma profundidade considerada rasa, de cerca de 40 metros. Segundo relatos feitos ao g1, o achado causou espanto na equipe da ANP, justamente por ser incomum a ocorrência de um material semelhante a petróleo nessa condição.

Com a confirmação de que se trata de petróleo cru, a ANP abriu um processo administrativo para avaliar a área e seu contexto geológico. A etapa servirá para estudar a dimensão de eventuais reservas, a qualidade do óleo e a possibilidade de exploração comercial no futuro.

A agência, no entanto, informou que "não há prazo estabelecido para a conclusão da avaliação técnica". Mesmo ao fim dos estudos, não há garantia de que a área será explorada comercialmente.

A descoberta ocorreu por acaso, quando Sidrônio tentava perfurar um poço artesiano para abastecer a família. A propriedade não tinha fornecimento regular de água encanada, e a intenção era encontrar uma solução para o consumo doméstico.

Durante a perfuração, em vez de água, começou a sair do solo um líquido preto, viscoso, denso e com odor semelhante ao de combustível. Em vídeo gravado pela família à época, o agricultor aparece comemorando inicialmente, acreditando ter encontrado água.

Semanas depois, a família procurou o IFCE para investigar o material. Testes laboratoriais indicaram que a amostra tinha características físico-químicas semelhantes às do petróleo encontrado em jazidas do Rio Grande do Norte. A confirmação oficial, porém, dependia da ANP.

Tabuleiro do Norte fica a cerca de 210 quilômetros de Fortaleza, na região do Vale do Jaguaribe, próximo à divisa com o Rio Grande do Norte. A área está situada perto da Bacia Potiguar, região conhecida pela atividade petrolífera entre os dois estados.

Após a identificação do material, a ANP orientou que a área fosse mantida isolada. Os moradores também foram instruídos a evitar contato com a substância, devido a possíveis riscos. A agência informou ainda que o poço não deve ser acessado e que novas amostras não devem ser retiradas neste momento.

Enquanto aguardava a conclusão dos testes, a família de Sidrônio continuou enfrentando dificuldades no acesso à água. No fim de março, após a repercussão do caso, uma antiga adutora da cidade voltou a atender a propriedade.

A eventual exploração da área ainda dependerá de um longo processo técnico, regulatório, econômico e ambiental. A ANP é responsável por regular e fiscalizar as etapas da exploração de petróleo no Brasil, desde a análise de uma possível jazida até a eventual definição de blocos a serem oferecidos em leilão.

O engenheiro Adriano Lima, que ajudou a família a contatar a agência, explicou ao g1 que a decisão sobre uma possível exploração depende de diversos estudos.

"Algumas regiões eles já têm muito bem mapeado. Regiões que existem estudos, especialmente os estudos geológicos, onde eles fazem análises físicas para ver o fato, como é que está o subsolo, para avaliar o tamanho do poço, do reservatório. Quando eles reúnem essas informações, informações econômicas, de impacto ambiental, eles tramitam um processo de enquadramento daquela área, como um novo bloco a ser colocado em operação", afirmou.

Mesmo que a ANP confirme a existência de uma jazida, isso não significa que haverá extração. Áreas já mapeadas podem não atrair empresas interessadas caso o volume seja pequeno, a qualidade do petróleo seja baixa, a operação seja cara ou a extração apresente dificuldades técnicas.

"O custo de se montar uma unidade de produção numa região tem que ser equivalente ao retorno que a operação vai ter", disse Adriano Lima.

"O retorno tem que estar relacionado à qualidade do óleo que ele vai extrair e à quantidade, à duração, o tempo que ele vai conseguir produzir", completou.

Apesar de o petróleo ter sido encontrado em sua propriedade, Sidrônio Moreira não será dono do material. Pela Constituição Federal, o subsolo e suas riquezas minerais, incluindo petróleo e gás, pertencem à União.

O agricultor, porém, poderá receber compensação financeira caso a área venha a ser explorada comercialmente. O repasse ao proprietário da terra pode chegar a até 1%, dependendo de fatores técnicos e legais que ainda terão de ser analisados.

A confirmação da ANP encerra a dúvida sobre a natureza do líquido encontrado no sítio, mas abre uma nova etapa de avaliação. Agora, caberá à agência estudar se o petróleo identificado em Tabuleiro do Norte representa apenas um acúmulo isolado ou se há potencial para exploração econômica no futuro.

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