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Apex prepara ofensiva na Europa para mostrar que Brasil “não é bicho-papão”

Campanha inclui viagens, diálogo com empresários e articulação política para reduzir resistências ao acordo UE-Mercosul

Jorge Viana (Foto: ApexBrasil/Divulgação)

247 - O presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Jorge Viana, anunciou em entrevista coletiva nesta quinta-feira (22) o início de uma ampla estratégia para fortalecer a imagem do Brasil na Europa, em meio às discussões sobre o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. A iniciativa tem como objetivo central reduzir resistências ao país e ampliar o diálogo com setores empresariais e políticos europeus.

Segundo Viana, a ação envolverá viagens de sensibilização e interlocução direta com empresários e autoridades, buscando demonstrar que o Brasil não representa uma ameaça econômica ou ambiental. 

No plano político, Jorge Viana afirmou ter conversado, na quarta-feira (21), com o presidente do Congresso Nacional, senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), sobre a possibilidade de uma visita ao Parlamento Europeu. De acordo com ele, a proposta foi bem recebida e pode ser ampliada para incluir também os parlamentos dos países que compõem o Mercosul. Ainda no cenário interno, Viana relatou que Alcolumbre sinalizou que a tramitação do acordo será tratada como prioridade na retomada dos trabalhos do Congresso Nacional.

Durante a coletiva, o presidente da ApexBrasil comentou a recente decisão de parlamentares europeus de levar o acordo à Justiça, classificando o movimento como uma “manobra política”, embora legítima dentro das regras democráticas. “Lá no Parlamento Europeu foi, no fundo, uma manobra política dos que eram contra. Tentaram uma vez, tentaram outra e agora conseguiram, com números muito pequenos de diferença, em uma operação que faz parte do jogo da política”, afirmou.

Apesar das dificuldades, Viana ressaltou que o Brasil seguirá apostando no diálogo para superar os obstáculos, citando experiências anteriores de negociação internacional. “Tem que respeitar isso. Mas nós vamos fazer a nossa parte”, declarou, ao mencionar que a estratégia adotada será semelhante à usada durante o episódio do chamado “tarifaço”.

Questionado sobre o futuro do acordo Mercosul-UE, Jorge Viana demonstrou cautela, mas manteve uma postura otimista. “Essa pergunta é difícil de responder. Eu sou otimista. Acho que vamos encontrar uma solução ainda neste ano. Mas se ele vai entrar em vigor de maneira precária, não podemos afirmar. Há quem defenda isso, mas também existe o argumento de que poderia gerar insegurança jurídica e ações judiciais”, explicou.

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