Banco Central e FED anunciam hoje primeiras decisões de juros de 2026 no Brasil e nos EUA
O Banco Central e o Federal Reserve divulgam hoje suas definições de política monetária, com mercado apostando em manutenção das taxas
247 - A chamada “superquarta” reúne hoje (28) as primeiras decisões de política monetária de 2026 no Brasil e nos Estados Unidos. Ao longo do dia, os dois principais bancos centrais do continente americano anunciam se manterão ou não os atuais níveis de juros, em um contexto de expectativas amplamente favoráveis à estabilidade das taxas.
Nos Estados Unidos, o Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) anuncia às 16h a decisão sobre a taxa básica norte-americana, informa a CNN. Na sequência, às 16h30, o presidente do Fed, Jerome Powell, concede entrevista coletiva para explicar os fundamentos discutidos pelo colegiado. No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve divulgar sua decisão por volta das 18h30.
A expectativa predominante entre analistas é de manutenção dos juros nos dois países. No caso brasileiro, a taxa Selic permanece em 15% ao ano desde junho de 2025. Já nos Estados Unidos, os juros estão na faixa entre 3,5% e 3,75%, após o corte promovido em dezembro do ano passado.
Dados do Sistema Expectativas de Mercado, levantamento semanal do Banco Central, indicam que a mediana dos agentes econômicos projeta a Selic estável em 15% nesta reunião. No cenário norte-americano, a ferramenta CME FedWatch aponta que 96,1% do mercado precifica a manutenção dos juros, enquanto apenas 3,9% ainda apostam em um novo corte.
Cenário brasileiro
No Brasil, a expectativa de continuidade da política monetária é reforçada pelas sinalizações do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, que tem destacado a dependência dos dados econômicos para eventuais mudanças de rumo. Indicadores recentes do mercado de trabalho mostram desemprego em níveis historicamente baixos, sugerindo uma economia ainda aquecida.
Ao mesmo tempo, o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) segue trajetória gradual de convergência para o centro da meta de inflação, enquanto o dólar apresenta sinais de acomodação no mercado doméstico.
Em nota, analistas do Santander avaliam que o cenário observado desde o início de 2026 é muito semelhante ao de dezembro, quando o Copom realizou sua última reunião de 2025 e decidiu manter a Selic em 15% pela quarta vez consecutiva. Diante de indicadores que ainda apontam direções distintas, a avaliação é de que o Banco Central deve optar novamente pela manutenção da taxa básica.
Cenário nos Estados Unidos
Nos Estados Unidos, a reunião do Fed ocorre em meio a um ambiente político conturbado. O processo é acompanhado por uma investigação criminal do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, envolvendo o presidente do banco central norte-americano, Jerome Powell, além de movimentos para a possível saída da diretora Lisa Cook e da proximidade da escolha de um sucessor para Powell, cujo mandato termina em maio.
Na terça-feira, primeiro dia das reuniões, Trump voltou a afirmar que pretende anunciar em breve o nome que indicará para ocupar a presidência do Fed. Com diversas frentes em aberto e questionamentos sobre a independência da autoridade monetária, o debate sobre juros acaba ficando em segundo plano.
Ainda assim, analistas observam que, até o momento, não há sinais de deterioração da confiança nos mercados. As expectativas de inflação baseadas em ativos financeiros e os rendimentos dos títulos de longo prazo dos Estados Unidos não indicam temor generalizado sobre o futuro do Fed.
Para Tim Duy, economista-chefe para os Estados Unidos da SGH Macro Advisors, o contexto institucional é central para entender os próximos passos da política monetária. “Não é possível considerar as ações do próximo presidente do Fed como algo separado do ambiente econômico ou da capacidade de influenciar outros participantes do Fomc”, afirmou.


