Cenário já permite corte de juros, mas Copom deve manter Selic em 15%, afirma Banco Pine
Banco avalia que desaceleração da inflação e da atividade abre espaço para afrouxamento monetário em 2026
247 - Em relatório divulgado nesta segunda-feira (26), o Banco Pine avalia que o Comitê de Política Monetária (Copom) deve manter a taxa Selic em 15% ao ano na primeira reunião de 2026, marcada para a quarta-feira (28), embora o cenário econômico já apresente condições que permitiriam o início de um ciclo de cortes de juros.
O estudo, publicado no boletim Pine News, aponta que a decisão esperada está em linha com a precificação da curva de juros e com o consenso do mercado financeiro. Ainda assim, a instituição destaca que a combinação entre desaceleração da atividade econômica, arrefecimento da inflação corrente e queda das expectativas inflacionárias abre espaço técnico para uma flexibilização da política monetária.
Em entrevista incluída no relatório, Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa macroeconômica do Banco Pine, afirma que a manutenção da Selic é o cenário mais provável neste encontro. “Acreditamos que o Comitê manterá a taxa Selic em 15% ao ano, na quarta-feira, em decisão unânime, em linha tanto com a precificação da curva de juros local quanto com o consenso dos analistas”, declarou.
Segundo o economista, apesar da expectativa de estabilidade, os fundamentos econômicos já permitem discutir uma mudança de direção. “Entretanto, em nossa avaliação, o cenário econômico já permitiria o início de ciclo de corte de juros nesta reunião: a desaceleração da atividade econômica, da inflação corrente e das expectativas inflacionárias sugere que as pré-condições para o afrouxamento monetário já estão presentes”, afirmou.
De acordo com o Banco Pine, simulações realizadas com base no modelo semiestrutural do Banco Central indicam inflação levemente abaixo de 3,2% no horizonte relevante da política monetária. O relatório também aponta aumento do juro real ex-ante, o que significa que, mesmo com a Selic mantida em 15% ao ano, a taxa real de juros vem se elevando nos últimos trimestres.
A análise ressalta ainda que a comunicação recente dos membros do Copom, sem sinalizações de mudança na condução da política monetária entre as reuniões, aliada ao aumento da incerteza geopolítica global, reforça a expectativa de manutenção dos juros neste momento.
Para os próximos meses, o Banco Pine projeta o início de um ciclo moderado e gradual de afrouxamento monetário. Segundo Cristiano Oliveira, “em nossa avaliação, acreditamos que o Copom iniciará ciclo moderado e gradual de afrouxamento monetário na reunião de março, levando a taxa Selic para 11,50% ao ano ao fim de 2026”.


