Dívida cresce por juros altos, não por déficit, diz Haddad
Ministro afirma que ciclo de queda da Selic pode começar em breve e defende reforma tributária como “revolução” com foco em justiça social
247 – O ministro Fernando Haddad afirmou na noite de quarta-feira (14), em entrevista à GloboNews, que a alta da dívida pública tem sido causada principalmente pelos juros elevados — e não pelo déficit fiscal. “A dívida pública está aumentando por causa dos juros altos, não por causa do déficit”, disse o ministro da Fazenda.
A declaração foi dada em conversa repercutida pelo jornal Valor Econômico, na qual Haddad avaliou que um ciclo de cortes de juros pelo Banco Central pode começar “em breve”, desde que conduzido com responsabilidade para não pressionar a inflação. Segundo ele, a redução da taxa básica tende a contribuir para uma melhora do quadro fiscal.
Expectativa de corte de juros e impacto nas contas públicas
Na entrevista, Haddad argumentou que a queda da Selic, se ocorrer com prudência, poderá aliviar o custo do serviço da dívida e abrir espaço para o ajuste fiscal. Ele reforçou que, na sua avaliação, o problema central da dinâmica da dívida está na taxa de juros.
O ministro também destacou números do resultado primário recente e afirmou que o déficit foi reduzido de forma significativa. “Em dois anos, o déficit primário caiu em 70%, considerando o déficit de 1,58% do PIB deixado pelo governo Bolsonaro”, afirmou.
Haddad ainda garantiu que os gastos públicos, como proporção do PIB, não aumentaram no atual governo.
Reforma tributária e promessa de mudança na Receita a partir de 2027
O ministro voltou a defender a reforma tributária aprovada pelo Congresso, classificando-a como uma “revolução” que será implementada no país a partir de 1º de janeiro de 2027.
“Teremos uma mudança grande no enfoque da Receita Federal, que não é a da arrecadação mas de justiça social”, disse Haddad, ao sustentar que a nova estrutura tributária deve reorganizar incentivos e melhorar o ambiente econômico.
Caso Banco Master: Fazenda cita conexões e diz que é preciso investigar
Na entrevista, Haddad afirmou acreditar que o processo de liquidação do Banco Master pelo Banco Central foi “muito robusto”, mas explicou que a Fazenda passou a acompanhar o assunto por conexões do caso com órgãos vinculados ao ministério.
Ele relacionou impactos do episódio sobre instituições e temas associados à área econômica, citando a participação de bancos públicos (Caixa e Banco do Brasil) no Fundo Garantidor de Crédito (FGC), que deve ressarcir parte dos investidores da instituição.
Haddad também mencionou efeitos sobre a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e disse que o órgão “sofreu pressões, relatadas à Procuradoria-Geral da República”. Além disso, alertou para possível repercussão na arrecadação futura, diante de um eventual prejuízo fiscal do banco, “se não se tomar providências”.
“Portanto, [a crise do banco Master] tem repercussões na Fazenda e nosso papel como autoridade pública é investigar”, afirmou.
Questionado sobre quando os investidores começariam a receber os recursos garantidos pelo FGC, Haddad disse que cabe ao Banco Central responder, embora considere que o cronograma deve seguir as regras estabelecidas.
Futuro político: Haddad nega candidatura e fala em colaborar com a reeleição de Lula
Ao ser perguntado sobre uma eventual saída do ministério, Haddad afirmou que não pretende disputar cargos como governador de São Paulo ou senador. Disse, porém, que planeja colaborar com a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva neste ano.
“Nem pretendo estar na coordenação, mas creio poder ser útil na elaboração do programa de governo”, declarou.
Sobre quem poderia substituí-lo na Fazenda, Haddad evitou indicar nomes e elogiou a própria equipe. “A propaganda eu faço, agora quem vai pegar é outra coisa”, afirmou, ao despistar sobre sucessão.

