Lula traz euforia ao mercado financeiro e BC prepara ciclo de queda de juros
Ibovespa bate recorde histórico com forte entrada de capital estrangeiro e expectativa de início do afrouxamento monetário
247 - O mercado financeiro brasileiro viveu uma sexta-feira (23) histórica, com o Ibovespa encerrando o pregão no maior patamar de todos os tempos, impulsionado pelo forte fluxo de capital estrangeiro e pela crescente expectativa de início de um ciclo de queda da taxa básica de juros. O índice avançou 1,86% e fechou aos 178.858,54 pontos, após atingir, ao longo do dia, a máxima inédita de 180.532,28 pontos. As informações são do InfoMoney e do Brazil Stock Guide.
O desempenho coroou a melhor semana da Bolsa brasileira desde abril de 2020. No acumulado dos últimos cinco pregões, o Ibovespa registrou alta de 8,53%, resultado associado à melhora do ambiente macroeconômico, à valorização de ativos ligados a commodities e ao aumento da atratividade dos mercados emergentes.
Expectativa de corte de juros ganha força
A leitura positiva do mercado também foi reforçada por avaliações do setor financeiro sobre a política monetária. Análise do BTG Pactual, divulgada pelo Brazil Stock Guide, aponta que o Banco Central pode iniciar o ciclo de flexibilização da taxa Selic já na reunião do Comitê de Política Monetária marcada para os dias 27 e 28 de janeiro.
Segundo o banco, a taxa básica de juros, atualmente em 15%, encontra-se em território fortemente contracionista, o que permitiria um corte inicial de 25 pontos-base sem comprometer o processo de desinflação. No cenário-base do BTG, a Selic poderia recuar cerca de 300 pontos-base até o fim de 2026, alcançando aproximadamente 12%.
A avaliação considera a desaceleração da atividade econômica desde meados de 2025, a perda de fôlego do crescimento do Produto Interno Bruto e sinais de moderação do consumo, mesmo diante do aumento da renda real das famílias. O banco manteve suas projeções de crescimento do PIB em 2,2% para 2025 e 1,7% para 2026.
Projeções inflacionárias e capital estrangeiro
No campo inflacionário, apesar da aceleração recente dos serviços, o BTG manteve suas projeções para o IPCA em 4,1% para 2026 e 3,8% para 2027, entendendo que o cenário segue compatível com uma calibragem cautelosa da política monetária.
Levantamento divulgado pelo InfoMoney mostra que investidores estrangeiros foram os principais responsáveis pela forte alta do índice. Apenas em janeiro, o ingresso líquido de recursos externos na Bolsa brasileira somou R$ 12,3 bilhões, valor próximo de metade de todo o volume registrado ao longo do ano passado, indicando mudança relevante no apetite ao risco em relação ao Brasil.
No mercado de câmbio, o real apresentou leve desvalorização no pregão, mas acumulou ganho de 1,59% frente ao dólar na semana. A moeda estadunidense subiu 0,05% nesta sexta-feira, cotada a R$ 5,287. Os juros futuros encerraram o dia em queda nos contratos de vencimentos mais longos, refletindo a expectativa de flexibilização da política monetária.
Bolsa brasileira descola do exterior
Enquanto o mercado brasileiro registrava forte valorização, os principais índices de Wall Street encerraram o dia sem direção definida e com oscilações moderadas. Na Europa, a maioria das Bolsas fechou em queda, em meio às incertezas geopolíticas e às declarações recentes do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e o Irã.
Apesar do cenário externo mais cauteloso, a suspensão temporária de ameaças tarifárias contra países europeus contribuiu para aliviar tensões no comércio internacional, favorecendo ativos de mercados emergentes.
Ações líderes puxam o índice
O avanço do Ibovespa foi liderado por ações de peso no índice. A Vale subiu 2,46%, acompanhando a valorização do minério de ferro. A Petrobras teve alta de 4,35%, impulsionada pela elevação dos preços do petróleo no mercado internacional.
Entre as empresas do setor financeiro, Banco do Brasil avançou 3,54%, Bradesco subiu 2,41%, Itaú Unibanco registrou alta de 1,14% e Santander ganhou 1,68%. A B3 encerrou o dia com valorização de 1,28%.
Fora do índice, a Azul teve destaque ao subir 12,46%, após anunciar que credores concordaram com um aporte adicional de US$ 100 milhões para apoiar sua saída antecipada do processo de recuperação judicial nos Estados Unidos.


