Brasil pode ganhar US$ 1 bi em 12 meses com acordo Mercosul-União Europeia
Estimativa da Apex aponta 543 produtos com potencial imediato de expansão; acordo comercial tem início nesta sexta-feira
247 - O acordo comercial entre Mercosul e União Europeia pode impulsionar significativamente as exportações brasileiras, com expectativa de crescimento de até US$ 1 bilhão no período de 12 meses após sua entrada em vigor. A projeção está associada à redução ou eliminação de tarifas para centenas de produtos, ampliando o acesso do Brasil a um dos maiores mercados consumidores do mundo.
Segundo a CNN Brasil, a estimativa foi feita pela ApexBrasil (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), que identificou 543 produtos com potencial imediato de expansão entre cerca de 5 mil itens beneficiados pelas novas condições comerciais.
A União Europeia representa um mercado robusto, com economia estimada em cerca de US$ 20 trilhões e volume de importações que chega a US$ 7 trilhões anuais, sendo mais de US$ 3,4 trilhões provenientes de fora do bloco. Esse cenário amplia as oportunidades para os países do Mercosul, especialmente o Brasil, ao facilitar o acesso a esse amplo mercado.
Abertura mais rápida favorece exportadores do Mercosul
Um dos pontos destacados pela ApexBrasil é a velocidade de abertura comercial. Segundo o presidente da agência, Laudemir Müller, a redução tarifária ocorre de forma mais acelerada para os países sul-americanos.
“Quando a gente olha do Mercosul para a Europa, a gente vê que 54% dos produtos passarão a ter tarifa zero. Quando um europeu está olhando para o Mercosul, ele vai ver que 10% dos produtos vão ter tarifa zero. Então, nós estamos falando que o mercado europeu abre cinco vezes mais rápido e é um mercado nove vezes maior do que o mercado do Mercosul”, afirmou.
Essa diferença tende a favorecer os exportadores brasileiros, ampliando a competitividade de produtos nacionais no mercado europeu logo nas primeiras etapas do acordo.
Cotas ainda dependem de negociação
Apesar do avanço, questões relacionadas às cotas de exportação ainda estão em definição. O tema ganhou relevância especialmente em setores como o de carne bovina, onde há divergências entre países do Mercosul sobre a divisão dos volumes negociados.
A ApexBrasil ressaltou que não participa diretamente dessa definição e que a estimativa de crescimento nas exportações não considera esse fator. Segundo Müller, o modelo de gestão das cotas ainda está em aberto.
“Isso depende de como vai ser administrada a cota. Pode ser que a Europa administre as licenças de importação, pode ser que o Mercosul administre, e pode ser que não tenha licença nenhuma, só as primeiras toneladas que chegarem lá”, pontuou.
Empresas devem ser atingida antes dos consumidores
Os efeitos do acordo tendem a ser sentidos inicialmente pelas empresas exportadoras, incluindo produtores rurais, cooperativas e indústrias. O impacto direto para os consumidores deve ocorrer de forma gradual.
“Neste momento, o principal benefício é para quem faz negócio. São empresas brasileiras, cooperativas, produtores rurais, que já fazem ou que não faziam negócio com a Europa, principalmente os que não faziam, que podem agora passar a fazer [negócios]. E aí, num segundo momento, na hora que esses produtos começarem a ser exportados, os europeus vão começar a sentir esse efeito nas gôndolas”, afirmou Müller.
O tempo de chegada dos produtos ao mercado europeu varia conforme a logística. Itens perecíveis, como frutas, podem chegar em poucos dias, enquanto bens industriais dependem de transporte marítimo, o que pode levar semanas.
Promoção comercial será intensificada
Além da redução de tarifas, a ApexBrasil planeja ampliar ações de promoção comercial para acelerar os resultados do acordo. A estratégia inclui rodadas de negócios, participação em feiras internacionais e aproximação entre empresas brasileiras e compradores europeus.
“A gente está fazendo uma atuação ainda mais intensiva de trazer compradores europeus ao Brasil, a gente, esse ano, vai fazer uma série de eventos no Brasil com rodadas de negócios. Isso serve para frutas, isso serve para grãos, isso serve para artesanato, uma série de produtos, porque isso acelera o contato da empresa e da cooperativa brasileira com o europeu”, destacou.
A agência também pretende reforçar a imagem do Brasil no exterior, destacando atributos como confiabilidade e sustentabilidade.
“O que a gente está trabalhando é para mostrar que o Brasil é um país estável, é um país que honra o que se comprometeu, o que acordou, mas também mostrar que país é esse. Porque muitas vezes os europeus ou não têm uma visão atualizada ou, às vezes, têm uma visão um pouco distorcida da realidade. Isso vale para o agronegócio e vale também para a indústria”, afirmou.
Entre as iniciativas previstas, está a realização da Semana da Amazônia na Europa, com o objetivo de evidenciar práticas sustentáveis e alinhar a imagem dos produtos brasileiros às exigências ambientais do mercado europeu.


