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Correios buscam mais R$ 8 bilhões para evitar nova crise

Estatal avalia novo empréstimo ou aporte da União para sustentar plano de reestruturação

Trrabalhadores dos Correios (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)

247 - Os Correios iniciaram articulações para levantar até junho cerca de R$ 8 bilhões adicionais, considerados fundamentais para garantir a continuidade do plano de reestruturação da estatal e evitar uma nova crise financeira em pleno ano eleitoral. A estratégia, segundo a Folha de São Paulo, envolve tanto a contratação de um novo empréstimo quanto a antecipação de um aporte da União já previsto em contrato.

Segundo pessoas que acompanham de perto as negociações, os R$ 12 bilhões obtidos no fim de 2025 em uma operação de crédito com cinco grandes bancos devem sustentar o caixa da empresa apenas até meados de 2026, com possibilidade de extensão limitada caso medidas de ajuste avancem conforme o esperado.

Caixa garante fôlego temporário, mas risco persiste

A avaliação interna é de que, mesmo com esse alívio temporário, resolver o quanto antes a necessidade adicional de recursos é essencial para afastar o risco de um buraco financeiro durante a campanha eleitoral, o que poderia  resultar em um desgaste político para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Os Correios estimam que o plano de reestruturação demande, ao todo, cerca de R$ 20 bilhões. Os recursos são destinados à regularização de dívidas, ao financiamento de medidas de ajuste — como incentivos à adesão ao programa de demissão voluntária (PDV) e mudanças no plano de saúde — e à manutenção das demais obrigações da companhia. Do empréstimo já contratado, R$ 10 bilhões ingressaram no caixa no fim do ano passado, enquanto os R$ 2 bilhões restantes devem ser liberados até o final de janeiro.

Governo assumiu compromisso de aporte até 2027

Em entrevista coletiva concedida no fim de dezembro, o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, destacou a dimensão do desafio financeiro. “A companhia precisará de mais R$ 8 bilhões para honrar seus compromissos”, afirmou.

O contrato firmado com Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú e Santander prevê, além do crédito, um aporte de R$ 6 bilhões por parte da União até 2027. O Tesouro Nacional confirmou a existência dessa cláusula. “O contrato prevê o aporte de R$ 6 bilhões até 2027, não estabelecendo nenhum vínculo com eventual nova operação de crédito”, informou o órgão em nota.

Esse compromisso foi incluído após negociações entre o Ministério da Fazenda e representantes das instituições financeiras, que exigiram a formalização da promessa como condição para participar da operação.

Bancos demonstram cautela com novo empréstimo

Agora, o risco ao longo de 2026 passou a ser usado pela empresa como argumento para tentar garantir que ao menos parte desses recursos seja repassado ao longo do ano. O objetivo é evitar a repetição do cenário observado no fim de 2025, quando a demora na liberação do crédito quase comprometeu o pagamento do 13º salário dos empregados.

Há, contudo, resistência no sistema financeiro. A primeira operação envolveu os cinco maiores bancos do país, que podem ter pouca disposição para ampliar sua exposição. Instituições menores chegaram a apresentar propostas, mas com custos considerados elevados pela União.

Endividamento elevado preocupa técnicos

O contrato de R$ 12 bilhões tem prazo de 15 anos, com três anos de carência. Quando o pagamento das parcelas começar, entre 2028 e 2029, o serviço da dívida deverá superar R$ 1 bilhão por ano. Uma nova operação aumentaria ainda mais esse compromisso, pressionando as receitas de uma companhia em recuperação.

Diante desse cenário, técnicos avaliam que o aporte da União em 2026 tende a ser inevitável. O governo também discute outras alternativas para apoiar a estatal, como mecanismos de compensação pela prestação do serviço postal universal, obrigação constitucional que responde por parcela relevante dos custos dos Correios.

Procurados, os Correios informaram que a primeira etapa do plano de reestruturação está em andamento. Em nota, a empresa afirmou que “novas operações junto ao mercado poderão ser consideradas nas próximas fases do plano, caso se mostrem oportunas e alinhadas aos objetivos estratégicos da empresa”.

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