Decisão de cortar juros é a ‘mais adequada’, diz ata do Copom
Apesar da pressão inflacionária por conta do conflito no Oriente Médio, BC decidiu cortar a Selic em 0,25%
247 - A Selic caiu a 14,5% ao ano apesar da inflação longe da meta, após o Banco Central avaliar que a alta nas expectativas de inflação não impedia a continuidade do ciclo de redução dos juros. A decisão, considerada pelo Comitê de Política Monetária como a opção “mais adequada”, aparece na ata da reunião realizada na semana passada.
As informações constam na ata da última reunião do Copom, publicada nesta terça-feira (5). Na ocasião, o Banco Central reduziu a taxa básica de juros de 14,75% para 14,5% ao ano, no segundo corte consecutivo da Selic.
Segundo a ata, a autoridade monetária reconheceu que, após o início da guerra no Oriente Médio, houve aumento das expectativas de inflação para este ano e para os próximos. Mesmo diante desse cenário, o colegiado concluiu que os acontecimentos recentes não seriam suficientes para interromper o movimento de queda dos juros.
O Banco Central afirmou que os “eventos recentes não impediriam o prosseguimento” do ciclo de corte e avaliou que a redução de 0,25 ponto percentual seria “mais adequada”. A formulação indica uma postura de cautela, mas também mostra que o Copom decidiu manter o processo de flexibilização monetária iniciado anteriormente.
A ata, no entanto, não trouxe uma sinalização objetiva sobre as próximas decisões do comitê. O Banco Central evitou antecipar se haverá novos cortes, manutenção da taxa ou mudança no ritmo da política monetária nas reuniões seguintes.
No documento, o BC afirmou: “Mantido o compromisso fundamental de garantia da convergência da inflação à meta dentro do horizonte relevante para a política monetária, o Comitê estabeleceu que a magnitude e a duração do ciclo de calibração serão determinadas ao longo do tempo, à medida que novas informações forem incorporadas às suas análises”.
A frase reforça que o Copom pretende definir os próximos passos da Selic com base na evolução dos indicadores econômicos, especialmente nas projeções de inflação, no comportamento das expectativas do mercado e nos impactos de fatores externos sobre a economia brasileira.
Mercado espera novos cortes na Selic
Apesar da cautela adotada pelo Banco Central, economistas do mercado financeiro projetam novas reduções da taxa básica de juros ao longo do ano. A expectativa é que a Selic encerre o ano em 13% ao ano.
Essa projeção ocorre mesmo em um ambiente no qual a inflação se distancia do centro da meta definida pelo sistema de metas do Banco Central. Para o próximo ano, o mercado financeiro estimou, na semana passada, que o IPCA ficará em 4%, acima da meta central de 3%.
Desde o início de 2025, o Brasil passou a adotar o sistema de meta contínua de inflação. Nesse modelo, o objetivo central foi fixado em 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo. Assim, a meta é considerada cumprida se a inflação ficar entre 1,5% e 4,5%.
A definição da Selic ocorre com base no sistema de metas de inflação. Quando as projeções indicam que os preços caminham em direção ao objetivo estabelecido, há espaço para reduzir os juros. Quando as estimativas ficam acima da meta, o Copom tende a manter a taxa em patamar elevado ou até elevá-la.
O Banco Central não considera apenas a inflação corrente, ou seja, a variação recente dos preços. A autoridade monetária olha principalmente para o comportamento esperado da inflação nos meses e anos seguintes.
Essa lógica ocorre porque as mudanças na Selic demoram a produzir efeito pleno sobre a economia. O impacto dos juros sobre crédito, consumo, investimentos e preços costuma aparecer em um intervalo de seis a 18 meses.
Por isso, ao tomar decisões neste momento, o Banco Central já observa o horizonte de 2027. A autoridade monetária busca avaliar se a inflação projetada para esse período estará alinhada à meta definida para a política monetária.
Cautela permanece no centro da política monetária
A nova ata do Copom mostra que o Banco Central tenta equilibrar dois movimentos. De um lado, há a intenção de dar sequência à redução gradual da Selic. De outro, permanecem preocupações com a trajetória da inflação e com a distância em relação ao centro da meta.
O corte de 0,25 ponto percentual indica que o colegiado optou por um ajuste moderado. A ausência de sinalização sobre os próximos passos reforça que novas decisões dependerão da leitura dos dados econômicos disponíveis até as próximas reuniões.


