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Déficit nas contas externas dobra em março

Queda no superávit comercial e alta de serviços ampliam rombo externo

Porto de Santos (Foto: REUTERS/Jorge Silva)

247 - O Brasil registrou um déficit de US$ 6 bilhões nas contas externas em março de 2026, mais que o dobro do resultado observado no mesmo mês do ano anterior, impulsionado pela redução do superávit comercial e pelo aumento dos gastos com serviços e renda. Os dados foram divulgados pelo Banco Central e refletem uma pressão crescente sobre o setor externo do país.

Segundo o Banco Central, o resultado negativo é resultado de uma combinação de fatores, incluindo a diminuição de US$ 1,6 bilhão no saldo positivo da balança comercial, além do aumento dos déficits em renda primária e serviços. No acumulado de 12 meses, o rombo nas contas externas chegou a US$ 64,3 bilhões, ampliando-se em relação aos US$ 61,2 bilhões registrados até fevereiro.

A balança comercial, que mede a diferença entre exportações e importações de bens, apresentou superávit de US$ 5,6 bilhões em março, abaixo dos US$ 7,2 bilhões registrados no mesmo período de 2025. A queda foi puxada principalmente pelo avanço mais acelerado das importações em comparação às exportações. Enquanto as vendas externas somaram US$ 31,7 bilhões, com alta de 9,5%, as compras do exterior atingiram US$ 26,1 bilhões, registrando crescimento de 19,9%.

No setor de serviços, o déficit também se ampliou, alcançando US$ 4,8 bilhões, um aumento de 14,5% em relação ao mesmo mês do ano passado. Um dos principais componentes desse resultado foi o aumento dos gastos de brasileiros no exterior, que totalizaram US$ 2 bilhões, contra US$ 1,6 bilhão em março de 2025.

Outro fator relevante para o aumento do déficit foi o resultado negativo da renda primária, que inclui pagamentos de juros e remessas de lucros e dividendos ao exterior. Esse saldo ficou deficitário em US$ 7,4 bilhões, superior ao rombo de US$ 6,3 bilhões registrado no mesmo período do ano anterior.

Apesar da deterioração das contas externas, o fluxo de investimentos estrangeiros diretos no país permaneceu positivo. Em março, os Investimentos Diretos no País somaram US$ 6 bilhões, valor próximo aos US$ 6,3 bilhões registrados no mesmo mês de 2025.

No acumulado de 12 meses, esses investimentos totalizaram US$ 75,7 bilhões, o equivalente a 3,18% do Produto Interno Bruto (PIB), mantendo o Brasil como destino relevante para capital estrangeiro, mesmo diante do aumento do déficit externo.

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