Desemprego anual cai para 5,6% em 2025 e atinge menor nível em 14 anos
Mercado de trabalho registra recordes de ocupação, renda e carteira assinada, segundo dados do IBGE
247 - A taxa média anual de desemprego no Brasil recuou para 5,6% em 2025, alcançando o melhor resultado em 14 anos e o menor patamar desde o início da série histórica atual, em 2012. O desempenho reflete a trajetória consistente de queda da desocupação ao longo do ano, impulsionada principalmente pela expansão do número de pessoas ocupadas, que chegou a 103 milhões, o maior contingente já registrado no país. Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua), divulgada pelo IBGE.
De acordo com o instituto, no trimestre encerrado em dezembro, a taxa de desocupação ficou em 5,1%, o menor nível da série histórica trimestral. Isso significa que cerca de 5,5 milhões de pessoas estavam desocupadas no fim do ano, enquanto a força de trabalho apresentava sinais claros de fortalecimento. “Importante registrar que a queda da desocupação não foi provocada por aumento da subutilização da força de trabalho ou do desalento, reduzindo a pressão por trabalho. A trajetória de queda da taxa de desocupação em 2025 foi sustentada pela expansão da ocupação, principalmente nas atividades de serviços”, afirmou a coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, Adriana Beringuy.
O avanço da ocupação levou também a um recorde no nível de ocupação, indicador que mede a proporção de pessoas ocupadas em relação à população em idade de trabalhar. Em 2025, esse percentual chegou a 59,1%, superando os resultados de 2024 e de 2012. O crescimento foi acompanhado por uma redução expressiva do contingente de pessoas desocupadas ao longo do ano, cuja média caiu de 7,2 milhões em 2024 para 6,2 milhões em 2025.
Outro sinal de melhora estrutural do mercado de trabalho foi a queda da subutilização da força de trabalho. A taxa anual recuou para 14,5%, a menor da série histórica, enquanto o número de pessoas subutilizadas caiu para cerca de 16,6 milhões. Apesar do recuo, o contingente ainda permanece acima do mínimo histórico registrado em 2014, antes dos impactos econômicos mais severos observados nos anos seguintes.
A melhora no emprego veio acompanhada de ganhos reais de renda. O rendimento médio real habitual das pessoas ocupadas foi estimado em R$ 3.560 em 2025, um aumento de 5,7% em relação ao ano anterior. Já a massa de rendimento real habitual atingiu R$ 361,7 bilhões, o maior valor desde o início da série, refletindo tanto o crescimento do emprego quanto a valorização dos salários.
Segundo Adriana Beringuy, os setores que mais contribuíram para esse avanço foram aqueles com maior nível de formalização e escolaridade. “Setorialmente, as atividades que mais expandiram a ocupação foram as de Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, como também o grupamento formado pela Administração pública, defesa, educação, saúde humana, seguridade social e serviços sociais”, destacou. Ela acrescentou que “além desses impulsos setoriais, a valorização do salário-mínimo influenciou o ganho de rendimento nos segmentos de atividades mais elementares e menos formalizadas”.
O emprego com carteira assinada também alcançou um patamar histórico em 2025. O número de trabalhadores do setor privado com carteira assinada chegou a 38,9 milhões, um crescimento de 2,8% em relação a 2024, representando cerca de 1 milhão de novos vínculos formais. Em contraste, o contingente de empregados sem carteira assinada apresentou leve redução, enquanto o número de trabalhadores domésticos também recuou.
A taxa de informalidade caiu de 39,0% em 2024 para 38,1% em 2025, mantendo a tendência de redução observada nos últimos anos. Ainda assim, o índice segue elevado. “A taxa de informalidade seguiu em queda em 2025. Seu valor relevante (38,1%), contudo, reflete característica estrutural do mercado de trabalho brasileiro”, ponderou Adriana Beringuy.
Na análise trimestral, o último trimestre de 2025 confirmou o cenário positivo. A taxa de desocupação de 5,1% foi a menor já registrada para trimestres móveis comparáveis desde 2012, com queda tanto em relação ao trimestre anterior quanto na comparação com o mesmo período de 2024. O resultado consolida 2025 como um dos anos mais favoráveis para o mercado de trabalho brasileiro desde o início da série histórica da PNAD Contínua.


