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Diretor do BC nega ter encomendado compra de carteiras fraudadas do Master pelo BRB e abre sigilos

Ailton de Aquino colocou à disposição todas as suas informações bancárias, fiscais e registros de conversas com o ex-presidente do Banco de Brasília

Ailton Aquino dos Santos e Banco Central (Foto: Reprodução | ABr)

247 - O diretor de Fiscalização do Banco Central (BC), Ailton de Aquino, decidiu colocar à disposição do Ministério Público Federal (MPF) e da Polícia Federal (PF) todas as suas informações bancárias, fiscais e registros de conversas mantidas com o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa. A iniciativa ocorre em meio às apurações envolvendo a compra de carteiras de crédito do conglomerado Master e tem como objetivo reforçar a transparência do processo, segundo comunicado oficial do regulador.

De acordo com nota divulgada pelo Banco Central, o diretor abriu mão do sigilo dessas informações de forma voluntária. No texto, o BC ressalta que Ailton de Aquino “afirma que, obviamente, jamais recomendou a aquisição de carteiras fraudadas”, rebatendo informações divulgadas por Malu Gaspar, do jornal O Globo, que havia noticiado suposta solicitação para que o BRB adquirisse ativos irregulares do Master.

No comunicado, o BC afirma que a decisão de tornar públicos os dados pessoais e profissionais do diretor está ligada ao seu “compromisso com a transparência” e ao zelo com as responsabilidades inerentes ao cargo público. A nota registra que Aquino colocou à disposição das autoridades “suas informações bancárias, fiscais e dos registros das conversas que realizou com o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, renunciando, para essa finalidade, ao sigilo sobre elas incidente”.

O Banco Central também destacou que foi justamente a área de supervisão do regulador, comandada por Ailton de Aquino, a responsável por identificar inconsistências nas operações envolvendo as carteiras do conglomerado Master. Segundo a instituição, as irregularidades foram detectadas e, de forma imediata, passaram por “rigorosas investigações, que levaram à demonstração da insubsistência dos ativos integrantes de tais carteiras”.

Ainda conforme a nota, a equipe liderada pelo diretor teve papel central na comunicação dos indícios de ilícitos criminais ao MPF, encaminhando documentação comprobatória e “criteriosas análises técnicas”. Além disso, a área de supervisão aplicou uma medida prudencial preventiva ao Banco de Brasília, como parte das ações para mitigar riscos ao sistema financeiro.

O BC informou também que partiu de Ailton de Aquino a iniciativa de submeter à diretoria colegiada da autarquia a proposta de liquidação extrajudicial das instituições que integravam o conglomerado Master. A medida teria sido motivada, entre outros fatores, pelos ilícitos identificados no âmbito dessas instituições.

No texto, o Banco Central reforça que tem a obrigação legal de acompanhar permanentemente as condições de liquidez do sistema financeiro, incluindo operações de aquisição de ativos entre instituições, com o objetivo de assegurar a estabilidade do setor e resguardar os interesses de depositantes, investidores e demais credores. “No exercício desse mandato, a área de Supervisão do Banco Central, na forma da legislação em vigor, rotineiramente monitora riscos e busca soluções para eventuais problemas de liquidez que venham a ser identificados em toda e qualquer instituição financeira”, diz a nota.

Por fim, o regulador ressalta que cabe a cada instituição financeira a responsabilidade “exclusiva e integral” pela análise da qualidade dos créditos que decide adquirir. Segundo o BC, os bancos devem manter procedimentos e controles internos adequados para o gerenciamento dos riscos assumidos em seus negócios, independentemente do acompanhamento realizado pelo órgão supervisor.

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