Endividamento alcança 70% das famílias em São Paulo em fevereiro
Pesquisa da FecomercioSP mostra alta após três meses de queda e aponta cartão de crédito como principal tipo de dívida entre consumidores paulistanos
247 - O endividamento das famílias na cidade de São Paulo voltou a crescer em fevereiro e atingiu 70% dos lares, segundo levantamento da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP). O dado indica que cerca de 3,1 milhões de famílias paulistanas começaram o mês com algum tipo de dívida, relata a Folha de São Paulo.
De acordo com a pesquisa, o indicador havia recuado nos últimos meses de 2025 e chegou a 68,9% em janeiro, o menor nível em quase um ano. A elevação registrada em fevereiro interrompe essa sequência de quedas e reflete, principalmente, o impacto das despesas típicas do início do ano, como impostos e gastos escolares.
Segundo a FecomercioSP, o avanço do endividamento neste período pode ser considerado dentro de um padrão sazonal. “É possível que alguns lares tenham enfrentado dificuldades pontuais na organização do orçamento doméstico, já que não se trata de uma alta expressiva”, afirmou a entidade em nota.
Famílias de menor renda concentram maior endividamento
A análise por faixa de renda mostra que as famílias com rendimento de até dez salários mínimos continuam sendo as mais comprometidas com dívidas. Nesse grupo, o índice subiu de 72,8% em janeiro para 73,5% em fevereiro.
Entre os lares com renda superior a dez salários mínimos, o percentual também registrou crescimento, passando de 57,6% para 59,8% no mesmo período.
O cartão de crédito segue como o principal tipo de dívida entre os consumidores da capital paulista, presente em 78,7% dos casos. Em seguida aparecem o financiamento imobiliário (16,6%), o crédito pessoal (12,4%) e o financiamento de veículos (10,6%).
Comprometimento da renda permanece estável
Apesar da alta no número de famílias endividadas, o percentual da renda comprometida com dívidas apresentou leve redução. Em fevereiro, o índice ficou em 27,2%, ante 27,5% no mês anterior.
A federação avalia que o acesso ao crédito não tem sido utilizado majoritariamente como solução emergencial, mas como complemento à renda das famílias, sustentada pelo mercado de trabalho.
O tempo médio de comprometimento com dívidas também permaneceu estável pelo terceiro mês consecutivo, em cerca de sete meses. Segundo a FecomercioSP, quase um terço das famílias tem dívidas com prazo de até três meses —perfil associado principalmente ao uso do cartão de crédito—, enquanto pouco mais de um terço possui compromissos financeiros superiores a um ano, geralmente ligados a financiamentos imobiliários ou de veículos.
Inadimplência também registra aumento
O levantamento aponta ainda crescimento moderado da inadimplência na capital paulista. Em fevereiro, 20,4% das famílias estavam com contas em atraso, o equivalente a aproximadamente 917 mil lares. Em janeiro, o índice era de 19,9%.
Entre as famílias com renda de até dez salários mínimos, a taxa subiu de 24,6% para 25,2%. Já entre aquelas com renda superior a esse patamar, a inadimplência avançou de 8,4% para 8,6%.
Mais da metade dos consumidores inadimplentes —53,5%— possui dívidas com atraso superior a 90 dias, situação que, segundo a FecomercioSP, exige atenção por envolver compromissos mais longos e com juros potencialmente mais elevados, o que dificulta a regularização.
Atualmente, 9% das famílias afirmam não ter condições de quitar as dívidas em atraso. Dentro desse grupo, 10,8% disseram ter intenção de contratar crédito ou financiamento nos próximos três meses.
Mesmo diante das dificuldades financeiras, a maioria dos consumidores que pretendem recorrer ao crédito afirma que o objetivo é realizar compras. De acordo com a pesquisa, 81,2% indicaram essa finalidade, enquanto apenas 12,6% disseram que utilizariam o recurso para pagar dívidas.
Para a entidade, o cenário econômico ainda apresenta condições favoráveis. “As condições econômicas permanecem favoráveis, com inflação mais baixa e mercado de trabalho aquecido, o que sugere que essa expansão da inadimplência seja pontual e sazonal. Assim, forma-se um ambiente relativamente saudável para a contratação e, ao mesmo tempo, para a quitação de dívidas”, afirmou a FecomercioSP.
O levantamento de endividamento e inadimplência ao consumidor é realizado mensalmente pela federação e entrevista cerca de 2.200 consumidores na cidade de São Paulo.


