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Entenda por que investidores estrangeiros veem o Brasil em "momento de ouro" na economia

Relatórios de Bank of America e Goldman Sachs apontam o Brasil como um dos mercados emergentes mais atrativos no cenário atual

Entenda por que investidores estrangeiros veem o Brasil em “momento de ouro” na economia (Foto: IA / Brasil 247)

247 - O Brasil voltou ao radar de investidores estrangeiros durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em meio a mudanças no cenário econômico global. Segundo a BBC News Brasil, relatórios de bancos como o Bank of America e o Goldman Sachs apontam o Brasil como um dos mercados emergentes mais atrativos no momento.

O primeiro chegou a questionar se o país pode ser o "próximo ouro", enquanto o segundo destaca que a economia brasileira tem sido favorecida pelo aumento dos preços do petróleo em meio ao conflito envolvendo Estados Unidos, Israel e Irã.

O Fundo Monetário Internacional elevou a projeção de crescimento do Brasil de 1,6% para 1,9% em 2026 e avaliou que o país pode ter um efeito positivo, ainda que limitado, com a crise internacional. Isso ocorre porque o Brasil é considerado um exportador líquido de energia, o que significa ganhos maiores com a alta das commodities.

Alta das commodities 

O aumento de mais de 30% no preço do petróleo desde o fim de fevereiro impacta economias globais de forma desigual. Países importadores enfrentam pressão inflacionária, enquanto exportadores, como o Brasil, tendem a registrar ganhos nas contas externas e melhora nos termos de troca.

Além do petróleo, o avanço no preço de matérias-primas também contribui para o desempenho econômico. Segundo a Confederação Nacional da Indústria, o índice de preços de commodities registrou forte alta no início de 2026, atingindo o maior nível desde 2022.

Investimentos e fluxo estrangeiro

O ambiente externo também favorece a entrada de capital estrangeiro. De acordo com dados da consultoria Elos Ayta, a Bolsa de Valores brasileira recebeu R$ 64,42 bilhões em recursos internacionais até 22 de abril de 2026, mais que o dobro do registrado em todo o ano anterior.

Analistas apontam que os juros elevados no Brasil e o enfraquecimento do dólar tornam os ativos locais mais atrativos. Relatório do Bank of America afirma que investidores permanecem confortáveis em manter exposição ao real e às ações brasileiras.

Mesmo com uma recente queda do Ibovespa após atingir máxima histórica, especialistas consideram o movimento um ajuste de mercado e não um sinal de deterioração econômica.

Valorização do real e perspectivas

O real tem se destacado entre as moedas emergentes, com valorização de 10,4% frente ao dólar em 2026 até meados de abril. Para especialistas, o cenário internacional, aliado à entrada de capital estrangeiro, contribui para esse desempenho.

Projeções indicam que a moeda brasileira pode continuar se beneficiando da alta das commodities e do fluxo de investimentos. Estimativas do Instituto de Finanças Internacionais apontam que cada aumento de US$ 10 no preço do petróleo pode gerar cerca de US$ 4 bilhões adicionais para o Brasil.

Apesar do momento favorável, analistas apontam fatores que podem afetar o cenário. Entre eles estão a trajetória dos juros, as eleições presidenciais previstas para outubro e possíveis mudanças na política fiscal.

Além disso, o aumento nos preços de fertilizantes pode impactar o agronegócio, setor relevante para a economia brasileira. O país depende de importações desse insumo, especialmente do Oriente Médio, o que o torna sensível a oscilações no mercado internacional.

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