HOME > Economia

Governo projeta salário mínimo de R$ 1.717 em 2027

Estimativa está na LDO e considera inflação e crescimento do PIB para reajuste do piso nacional

Governo projeta salário mínimo de R$ 1.717 em 2027 (Foto: Marcello Casal Jr/Agencia Brasil)

247 - O governo federal projeta que o salário mínimo poderá alcançar R$ 1.717 em 2027, conforme estimativa incluída no projeto da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). O valor considera a inflação e o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) como base para o reajuste do piso nacional. A proposta do governo ainda será analisada pelo Congresso Nacional, podendo sofrer ajustes antes da definição final do valor do salário mínimo para 2027.

 A projeção faz parte do planejamento orçamentário enviado ao Congresso Nacional e ainda pode sofrer alterações durante a tramitação. A LDO estabelece metas e prioridades do governo e orienta a elaboração do Orçamento da União. As informações são do G1

Regras para o reajuste do salário mínimo

Atualmente fixado em R$ 1.621, o salário mínimo passou por reajuste de 6,79% neste ano. Caso as estimativas da equipe econômica se confirmem, o aumento previsto para 2026 será de 5,92%, o equivalente a R$ 96.

O cálculo segue a regra vigente, que combina dois indicadores: a inflação acumulada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) até novembro e o crescimento real do PIB de dois anos anteriores. Para o reajuste de 2027, será considerado o desempenho econômico de 2025, que registrou alta de 2,3%.

Essa metodologia busca alinhar o crescimento do salário mínimo às diretrizes do novo arcabouço fiscal, que estabelece limites para a expansão das despesas públicas até 2030. Ao longo do governo Jair Bolsonaro (PL), o reajuste do salário mínimo era corrigido apenas pelo índice da inflação do ano anterior, o que impedia um aumento real.

Impacto sobre milhões de brasileiros

O salário mínimo tem impacto direto sobre cerca de 61,94 milhões de pessoas no país, segundo dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese). O valor serve como referência tanto para trabalhadores quanto para aposentadorias e benefícios sociais, como o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

Ainda conforme o Dieese, aproximadamente 29,27 milhões de beneficiários do INSS recebem rendimentos vinculados ao piso nacional. Benefícios de até um salário mínimo representam 46% da massa total e correspondem a 70,8% dos beneficiários.

Debate sobre poder de compra

Apesar dos reajustes, o Dieese aponta que o valor atual do salário mínimo ainda está distante do necessário para cobrir as despesas básicas de uma família. O cálculo da entidade indica que o piso deveria ter sido de R$ 7.425,99 para atender integralmente custos com alimentação, moradia, saúde, educação, transporte e lazer.

O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, destacou a evolução histórica do piso salarial no país. “Embora definido em 1936 com base nas necessidades alimentares do trabalhador e da trabalhadora, logo se percebeu que a legislação precisava especificar que o salário mínimo deveria ser aplicado a homens e a mulheres, e mais tarde que deveria considerar as necessidades das famílias trabalhadoras. Ao longo dos anos, porém, seu valor veio sendo corroído, atendendo cada vez menos às necessidades básicas do trabalhador e da trabalhadora”, afirmou.