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Guilherme Mello diz estar à disposição de Lula para assumir diretoria do BC

Secretário de Política Econômica afirma que segue trabalhando normalmente na Fazenda

Secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello (Foto: Washington Costa/MF)

247 - O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Guilherme Mello, declarou nesta sexta-feira (6) que não recebeu convite formal para assumir uma das diretorias do Banco Central (BC), apesar de seu nome ter sido sugerido ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Mello afirmou que continua exercendo normalmente suas funções na Fazenda e que não há nada concreto sobre uma eventual nomeação. Segundo ele, qualquer movimentação dependeria de uma decisão do presidente da República.

“Eu não recebi nenhum convite, estou aqui trabalhando com a minha equipe normalmente. Não tenho nada a comentar sobre isso, porque não há convite feito. Eu estou à disposição do presidente e do ministro para cumprir as tarefas que eles julgam pertinentes e que, obviamente, eu tenha a capacidade de realizá-las”, afirmou.

O secretário disse ainda que se sente honrado pelo fato de seu nome ter sido lembrado pelo ministro Fernando Haddad, mas reforçou que a definição da composição do Banco Central é prerrogativa exclusiva do presidente Lula.

“Eu estou aqui como secretário de Política Econômica, um cargo que muito me orgulha, e vou continuar exercendo meu trabalho até que haja alguma mudança nesse status por decisão do presidente”, declarou.

Durante a entrevista, Mello também procurou afastar interpretações de que a equipe econômica do Ministério da Fazenda poderia influenciar diretamente decisões sobre juros e política monetária. Ele ressaltou que essas definições cabem ao Comitê de Política Monetária (Copom), órgão do Banco Central responsável por fixar a taxa básica de juros.

“Sempre tive todo o cuidado em deixar bem claro que quem tem as condições de tomar decisões sobre política monetária são os membros do Copom. Nós recebemos as informações como insumo para os nossos modelos de projeção”, disse.

A possível indicação do secretário ganhou força após Fernando Haddad confirmar nesta semana que apresentou ao presidente Lula nomes para preencher vagas abertas na diretoria do Banco Central. Além de Mello, o ministro sugeriu o economista Tiago Cavalcanti para os cargos.

As vagas surgiram após o encerramento dos mandatos dos ex-diretores Diogo Guillen e Renato Dias Gomes, em dezembro. As indicações ainda dependem de decisão do presidente e, posteriormente, de sabatina no Senado Federal.

O tema, no entanto, provocou reação negativa em parte do mercado financeiro, que avalia que a nomeação de Mello poderia indicar maior tolerância com a inflação, devido à sua trajetória acadêmica e proximidade com o Partido dos Trabalhadores.

Aliados de Haddad, por outro lado, defendem que o secretário tem perfil técnico e citam sua atuação em debates como a mudança na metodologia de apuração da meta de inflação e na formulação de medidas para enfrentar os efeitos da crise climática no Rio Grande do Sul.

Haddad afirmou que Lula ainda não tomou decisão e que nenhum dos nomes sugeridos recebeu convite formal até agora. Segundo o ministro, o presidente pretende discutir as indicações tanto com a equipe da Fazenda quanto com o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, antes de definir os escolhidos.

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