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Haddad confirma indicações de Guilherme Mello e Tiago Cavalcanti ao BC

Ministro diz que apresentou nomes a Lula e critica vazamento sobre disputa por vaga na diretoria do Banco Central

Fernando Haddad (Foto: Diogo Zacarias/MF)

247 - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), confirmou em entrevista à BandNews FM que indicou ao presidente Lula o nome do secretário de Política Econômica, Guilherme Mello, para uma vaga na diretoria do Banco Central, mas afirmou que o chefe do Executivo ainda não tomou uma decisão sobre a escolha. Segundo Haddad, o processo segue em fase de consultas e não houve definição final até o momento.

Haddad afirmou que apresentou dois nomes para avaliação. “Três meses atrás, eu levei para ele considerar dois nomes que me parecem muito interessantes: um economista professor em Cambridge chamado Tiago Cavalcanti, e o outro é meu secretário de Política Econômica [Guilherme Mello], que trabalha há três anos conosco e está fazendo um excelente trabalho”, declarou.

De acordo com o ministro, Lula ainda pretende ouvir outras pessoas antes de avançar na indicação. Haddad relatou que o tema não voltou a ser discutido desde então. “Tem três meses que isso [indicação] foi feito. De lá para cá não voltamos a conversar. Três semanas atrás ele disse para mim e para o Galípolo [presidente do BC] que ia nos chamar para conversar”, disse.

Haddad também criticou o vazamento de informações sobre o processo, avaliando que a exposição precoce prejudica a tomada de decisão. “É muito ruim quando uma pessoa vaza uma informação sensível como essa. Em geral, a Fazenda e o Banco Central se mantém recolhidos sobre esses temas e só divulgam os nomes escolhidos pelo presidente”, afirmou.

Conforme mostrou a Folha, o nome de Guilherme Mello passou a ser recebido com desconfiança por setores do mercado financeiro. A possibilidade de sua indicação para a diretoria do Banco Central dominou as chamadas morning calls da Faria Lima, reuniões matinais promovidas por grandes instituições financeiras, tornando-se um dos assuntos mais comentados no início da semana.

Mello tem forte ligação com o PT e participou da formulação do plano econômico do governo Lula. Para interlocutores do mercado, uma eventual escolha poderia sinalizar maior influência do partido e do governo sobre o Banco Central, além do peso político do próprio Haddad no processo.

Na mesma entrevista, o ministro da Fazenda afirmou não saber quem poderá substituí-lo no cargo e reiterou a disposição de colaborar com o programa de campanha do presidente Lula. “Estou conversando com o presidente sobre isso. Vamos ver quem convence quem”, afirmou.

Nos bastidores, Haddad enfrenta pressão para disputar um cargo majoritário em São Paulo. Na última quarta-feira (28), a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, defendeu publicamente essa possibilidade. “Eu defendo que todos os quadros nossos, inclusive o ministro, sejam candidatos nesse processo eleitoral”, declarou.

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