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Edinho diz que PT acolhe Marina e busca maioria no Senado

Segundo o presidente da sigla, uma eventual maioria autoritária da extrema direita no Senado representaria riscos ao equilíbrio entre os Poderes

Lula e Edinho Silva (Foto: Ricardo Stuckert)

247 - À frente da coordenação política do Partido dos Trabalhadores (PT) para as eleições de outubro de 2026, o presidente nacional da sigla, Edinho Silva, afirmou que a construção de alianças amplas nos estados e, sobretudo, a formação de uma maioria no Senado são estratégias centrais para enfrentar o avanço do autoritarismo e da extrema direita no país. Segundo ele, o cenário eleitoral exige articulação política consistente para preservar a estabilidade institucional brasileira.

Em entrevista concedida ao portal UOL, Edinho Silva alertou que uma eventual maioria autoritária no Senado representaria riscos diretos ao equilíbrio entre os Poderes. Ele ressaltou o papel estratégico da Casa, responsável por analisar processos de impeachment de integrantes do Judiciário e aprovar indicações para cargos-chave, como embaixadores e dirigentes de agências reguladoras.

“Para o bem da democracia brasileira, é fundamental que a gente faça maioria no Senado e impeça que esse pensamento autoritário, repito, de inspiração fascista, eleja a maioria dos senadores nas eleições de 26. Esse é o grande desafio do PT”, afirmou Edinho Silva.

Desde que assumiu a presidência do partido, Edinho percorreu as 27 unidades da federação com o objetivo de dialogar sobre os palanques regionais e fortalecer as bases políticas que sustentam o campo democrático. Segundo ele, o foco tem sido ampliar alianças capazes de enfrentar candidaturas alinhadas ao autoritarismo.

“Nós estamos construindo o palanque do presidente Lula, dialogando com diversas forças políticas. Estamos fazendo alianças nos estados as mais amplas possíveis, ou seja, se você tem um senador que é do campo democrático, que ele defende a estabilidade da nossa democracia, não interessa se ele seja do PT, se ele seja da Federação, se ele seja dos partidos de esquerda, interessa […] se ele vai derrotar um senador do pensamento autoritário. Nós vamos apoiar esse candidato, essa tem sido a nossa construção em todos os Estados”.

Marina Silva

Questionado sobre a possibilidade de retorno da ministra do Meio Ambiente e Mudanças do Clima, Marina Silva, ao PT, Edinho confirmou que há conversas em andamento. Ele destacou a trajetória política da ministra e afirmou que sua eventual filiação seria vista como um reforço relevante para o partido.

“A Marina é uma das maiores lideranças que o campo democrático construiu nas últimas décadas no Brasil. Como militante do PT, senti muito a saída dela. Se ela tem essa predisposição de fazer uma migração partidária, eu disse a ela que o PT está de portas abertas, que nós teríamos muita alegria em recebê-la novamente. Ter a Marina conosco seria um imenso ganho”, declarou.

Marina Silva é citada como uma das possíveis candidatas ao Senado por São Paulo em uma composição política que fortaleceria a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Atualmente filiada à Rede Sustentabilidade, a ministra já sinalizou que pode deixar o partido, e a volta ao PT aparece como uma das alternativas em discussão.

Haddad e Alckmin

Ao abordar o cenário eleitoral em São Paulo, Edinho Silva ressaltou o peso do maior colégio eleitoral do país na disputa presidencial de 2026. Sobre uma eventual candidatura do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, ao governo paulista, o dirigente afirmou reconhecer sua importância histórica para o campo progressista.

“O Fernando tem toda a liberdade, até do ponto de vista humano, de tomar a decisão que ele achar melhor do ponto de vista pessoal, inclusive, daquilo que ele tem planejado para a sua vida, mas ele sabe a importância da nossa vitória em 2026. Eu tenho certeza de que ele está refletindo. Com a capacidade de compreensão desse momento histórico, nós vamos tomar a melhor decisão possível em São Paulo, porque o resultado eleitoral de São Paulo pode definir a nossa disputa nacional”.

Edinho também comentou o futuro político do vice-presidente Geraldo Alckmin, afirmando que a decisão sobre sua candidatura caberá exclusivamente a ele. O presidente do PT elogiou a atuação de Alckmin no governo e destacou sua participação nas negociações sobre as tarifas impostas pelo governo de Donald Trump, o atual presidente dos Estados Unidos, ao Brasil.

“O Alckmin vai disputar o cargo que ele achar melhor nas eleições de 26, portanto, nós vamos respeitar a opção dele por tudo que ele tem construído como vice-presidente, como ministro, nesse momento tão difícil da vida brasileira”.

Disputa acirrada e uso correto das redes

Ao analisar o ambiente político, Edinho Silva avaliou que o país caminha para uma disputa eleitoral altamente polarizada, influenciada pelo papel crescente das redes sociais na formação da opinião pública. Para ele, o desafio passa por aprimorar as estratégias de comunicação e manter diálogo permanente com a sociedade.

“A polarização política é um fenômeno que tem que ser enfrentado mundialmente, principalmente com o crescimento vertiginoso das redes sociais. Essa cristalização das opiniões públicas, elas são alimentadas todos os dias pelas redes. É uma nova realidade da comunicação mundial, e isso, por consequência, gera um ambiente de disputas acirradas. Há muito trabalho pela frente. A gente precisa utilizar as redes sociais da forma correta, melhorando as nossas estratégias. Mas eu não tenho nenhuma dúvida que, se as eleições fossem hoje, nós estaríamos enfrentando uma disputa muito acirrada nesse ambiente polarizado”.

No ano em que o PT completa 46 anos, Edinho Silva afirmou ter clareza sobre o peso histórico das próximas eleições. Para ele, a disputa de 2026 ultrapassa o cenário nacional e terá repercussões internacionais.

“2026 é a eleição da história da democracia brasileira. Pela caracterização internacional, pelas mudanças da geopolítica internacional, pelo avanço do pensamento autoritário, uma vitória do presidente Lula sinalizaria para o mundo a possibilidade de retomada da organização de um campo democrático que enfrentasse esse pensamento fascista que cresce no mundo. E nacionalmente, internamente, seria a vitória de um projeto, de um programa que vai deixar legados históricos para as próximas gerações”, concluiu.

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