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Tebet e Marina se fortalecem como candidatas de Lula ao Senado por São Paulo

Ideia é que as ministras formem uma chapa com Fernando Haddad disputando o governo paulista. Ministro ainda precisa ser convencido

Marina Silva, Lula e Simone Tebet (Foto: Ricardo Stuckert/Divulgação)

247 - A ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB), avançou nas negociações para transferir seu domicílio eleitoral para São Paulo e passou a ser tratada como um dos principais nomes do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a disputa ao Senado em 2026. O movimento ocorre em paralelo às articulações da ministra do Meio Ambiente, Marina Silva (Rede), que também admite concorrer a uma das duas vagas em jogo pelo estado e afirma estar disposta a integrar a construção eleitoral que a recolocou no centro da cena política nacional, segundo o jornal O Globo.

O tema foi discutido diretamente entre Lula e Tebet durante a recente viagem presidencial ao Panamá, onde ambos participaram do Fórum Econômico Internacional do Banco de Desenvolvimento da América Latina e Caribe (CAF). Pela legislação, a ministra tem até 4 de abril para transferir o título eleitoral do Mato Grosso do Sul, estado que já representou no Senado, para São Paulo. Ainda não há definição sobre eventual mudança partidária: Tebet recebeu convite para deixar o MDB e se filiar ao PSB, embora setores do próprio MDB ainda defendam que ela dispute a eleição pela legenda.

A possibilidade, contudo, enfrenta resistências no cenário paulista. O MDB em São Paulo mantém compromisso com o projeto de reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), aliado do prefeito da capital, Ricardo Nunes (MDB), desde a eleição municipal de 2024. Essa aliança contou com a participação direta do presidente nacional do partido, Baleia Rossi, o que dificulta a construção de uma candidatura majoritária alinhada ao Palácio do Planalto.

Questionada sobre a transferência de domicílio eleitoral após um evento em São Paulo, Tebet afirmou: “Deixo o Ministério do Planejamento até o dia 30 de março ou quando o presidente definir. Porque o presidente avalia que sou importante no processo eleitoral e entende que é importante a minha candidatura”. Em seguida, detalhou o diálogo com Lula: “Discutimos apenas a minha candidatura ao Senado. Fizemos alguns raciocínios para ver onde eu posso cumprir melhor a minha missão. Não fechamos nada. Ele queria me ouvir. O presidente tem a virtude de nunca impor nada”.

A ministra revelou ainda que uma nova conversa com Lula deve ocorrer antes do carnaval, com o objetivo de avançar na definição de seu futuro político. No entorno do presidente, a avaliação é de que São Paulo oferece um ambiente eleitoral mais favorável do que o Mato Grosso do Sul. No estado de origem de Tebet, o MDB integra a base do governador Eduardo Riedel, que se aproximou do bolsonarismo, e parlamentares da sigla demonstram resistência à ideia de disputar a eleição ao lado da ministra após seu apoio a Lula no segundo turno de 2022.

No mesmo tabuleiro eleitoral, a formação do palanque de Lula em São Paulo segue indefinida. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), tem resistido publicamente à possibilidade de concorrer ao governo estadual, mas aliados avaliam que ele pode ceder diante da pressão do presidente e da cúpula petista. Sobre o cenário, Tebet comentou: “Eu entendo que São Paulo tem dois nomes de peso, relevantes, importantes, que têm condições de performar muito bem, de levar inclusive para um segundo turno, que são o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e o vice-presidente Geraldo Alckmin. Não entramos em detalhes (sobre isso). Estou aqui apenas externando uma mera opinião”.

Enquanto Tebet discute seu destino, Marina Silva também intensifica conversas políticas. A ministra do Meio Ambiente afirmou que pretende se reunir com Lula para definir, segundo ela, “a melhor forma de contribuir” com a construção eleitoral em São Paulo. Marina avalia deixar a Rede e negocia um retorno ao PT, além de dialogar com outras legendas do campo progressista.

Ao comentar a possibilidade de disputar o Senado, Marina afirmou: “Eu me vejo no desenho da construção para o Senado. São Paulo ajudou a salvar a minha vida biológica e me recolocou na cena política de uma forma incrível, quando eu nem queria mais ser candidata”. Ela relatou ainda a amplitude das conversas em andamento: “Estou dialogando com o PT, sim, e tive uma primeira conversa muito boa com o Edinho (Silva). Uma conversa já aconteceu com a presidente do PSOL, Paula Coradi. Tem pedidos de conversa do PSB, do PV, de vários partidos. Uma análise está sendo feita”.

Com negociações simultâneas e diferentes arranjos partidários em discussão, a disputa pelas vagas ao Senado por São Paulo começa a se desenhar como um dos principais eixos da estratégia eleitoral de Lula para 2026.

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