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Presidente do MDB chama articulação do PT por Tebet no Senado de "arapuca"

Baleia Rossi critica plano para lançar ministra em São Paulo e acusa desrespeito ao MDB

Ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet, em cerimônia no Banco Central, em Brasília - 02/04/2025 (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)

247 - O presidente nacional do MDB, deputado federal Baleia Rossi (SP), reagiu à movimentação do PT para que a ministra do Planejamento, Simone Tebet, deixe o partido e dispute uma vaga majoritária em São Paulo nas eleições deste ano. Para o dirigente emedebista, a estratégia petista coloca em risco o futuro político da ministra e ignora sua trajetória histórica dentro da legenda.

Baleia afirmou que a articulação representa uma “arapuca” e acusou o PT de agir de forma inadequada ao tentar usar Tebet como alternativa eleitoral em um estado onde, segundo ele, o partido não possui liderança consolidada. “Graças ao MDB e ao brilhantismo dela, Simone virou uma figura nacional, mas o PT armou uma arapuca que pode queimar uma liderança com um grande futuro político”, declarou. Em seguida, reforçou a crítica: “O PT não está agindo corretamente ao usar Simone para uma aventura de um partido que não tem liderança em São Paulo. É um desrespeito com o MDB”.

Na sexta-feira (30), Simone Tebet anunciou que deixará o Ministério do Planejamento até o dia 30 de março e confirmou que será candidata nas eleições deste ano, com possibilidade de concorrer em São Paulo ou no Mato Grosso do Sul, sem detalhar o cargo pretendido. A definição, segundo a própria ministra, dependerá de novas conversas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que ainda não foram concluídas. “Não discutimos mudança partidária, não discutimos cargos, não discutimos nem Governo do Estado de São Paulo”, afirmou.

Tebet relatou ainda que conversou com Lula sobre uma eventual candidatura ao Senado e indicou que não pretende disputar o governo paulista. O PT, por sua vez, busca um nome competitivo para enfrentar o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), favorito à reeleição. Nomes como Fernando Haddad (PT) e Geraldo Alckmin (PSB) resistem a disputar o Palácio dos Bandeirantes, o que levou o partido a avaliar alternativas, entre elas a ministra do Planejamento e o atual ministro do Empreendedorismo, Márcio França (PSB).

Levantamentos eleitorais encomendados por aliados de Tebet apontam que ela apresenta bom desempenho em São Paulo e poderia representar um obstáculo relevante à reeleição de Tarcísio. A avaliação no PT é de que, mesmo em um eventual cenário de derrota, a candidatura ajudaria a consolidar um palanque forte no maior colégio eleitoral do país e a garantir um volume expressivo de votos para Lula, repetindo a estratégia adotada em 2022.

Baleia Rossi também ressaltou a ligação histórica de Tebet com o MDB, lembrando a trajetória política de seu pai, o ex-senador Ramez Tebet. “Simone tem uma história política no MDB desde seu pai, Ramez Tebet, que foi uma das grandes lideranças políticas nacionais do MDB”, afirmou.

Para integrar formalmente o palanque de Lula em São Paulo, Tebet teria de trocar de partido. A filiação ao PT é considerada improvável, embora ela já tenha recebido convite do PSB. No cenário paulista, o MDB faz oposição ao presidente e tende a compor a coligação de apoio à reeleição de Tarcísio. Nacionalmente, o partido segue dividido entre aliados e críticos de Lula, com tendência à neutralidade na disputa presidencial.

Apesar desse contexto, Tebet já declarou que, independentemente da posição do MDB, apoiará a reeleição de Lula. Em 2022, ela foi candidata à Presidência pelo próprio MDB e, no segundo turno, declarou apoio ao petista, atuando ativamente na campanha e reforçando o discurso de frente ampla contra o bolsonarismo.

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