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Eleições: corrida ao Senado mobiliza governo e oposição

Eleição para 54 cadeiras vira fator decisivo para governabilidade e correlação de forças e divide o protagonismo do pleito com a disputa presidencial

Urnas eletrônicas (Foto: Bruno Kelly/Reuters)

247 - As eleições de 2026 colocam o Senado no centro das atenções de governo e oposição, transformando a disputa pelas cadeiras da Casa em uma das mais estratégicas do próximo ciclo eleitoral. Lideranças partidárias avaliam que o resultado das urnas terá impacto direto na governabilidade do próximo presidente da República e no equilíbrio entre os Poderes, uma vez que dois terços do Senado serão renovados em outubro, com a escolha de 54 novos parlamentares em todos os estados e no Distrito Federal. A avaliação é de que a correlação de forças no Senado será tão decisiva quanto a corrida presidencial, segundo o Metrópoles.

A Casa Alta do Congresso é responsável por decisões sensíveis, como a análise de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), além da sabatina e aprovação de autoridades indicadas pelo presidente da República. Por isso, parlamentares de diferentes legendas consideram que ampliar bancadas no Senado é fundamental para influenciar a agenda política nacional a partir de 2027, quando os eleitos tomarão posse para mandatos de oito anos.

No campo governista, o PT avalia que o Senado tem oferecido maior previsibilidade ao terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) do que a Câmara dos Deputados. Dirigentes petistas afirmam que a Casa tem sido um pilar para assegurar vitórias ao governo e barrar propostas consideradas prejudiciais ao Palácio do Planalto. A leitura interna é de que uma bancada mais robusta pode reduzir resistências no Congresso em um eventual quarto mandato de Lula.

Do lado da oposição, aliados de Jair Bolsonaro (PL) apostam que a eleição de 2026 pode abrir caminho para a construção de uma maioria no Senado. A estratégia passa por fortalecer bancadas para influenciar acordos internos, disputar o comando da Casa e avançar em pautas de interesse do grupo. Em junho de 2025, dois meses antes de ser preso, Bolsonaro defendeu publicamente que seus aliados concentrassem esforços na eleição de senadores. Na ocasião, afirmou que era necessário conquistar maioria absoluta da Casa, com 41 cadeiras, para mandar “mais do que o próprio presidente da República”.

A eleição para o Senado ocorre pelo sistema majoritário. Cada estado elegerá dois senadores, e cada eleitor poderá votar em dois candidatos. Em 2026, os dois nomes mais votados em cada unidade da federação garantirão mandato até 2035. Os 54 eleitos se somarão aos outros 27 senadores que ainda terão quatro anos de mandato pela frente.

PT e PL já definiram a disputa ao Senado como prioridade nacional. No caso do partido de Bolsonaro, a direção trabalha para montar chapas com um candidato próprio e um aliado em quase todos os estados, buscando reduzir rejeições e ampliar as chances eleitorais. A meta é formar bancadas mais amplas e coesas a partir de alianças regionais.

Estratégia semelhante vem sendo adotada pelo PT. O presidente nacional da sigla, Edinho Silva, tem defendido a ampliação das bancadas no Congresso como condição para garantir estabilidade política. Em dezembro, a cúpula petista aprovou resolução que classifica as eleições para o Senado como prioritárias e aponta a necessidade de alterar a correlação de forças no Legislativo. O documento afirma: “O Senado, em particular, deve ser tratado como prioridade, uma vez que sua composição será determinante para a aprovação de reformas estratégicas, tornando imprescindível que o PT dispute com força essas vagas em cada estado, integrando a tática nacional com a dinâmica local de alianças e mobilização social”.

Com dois terços das cadeiras em jogo, a eleição de 2026 tende a redefinir o peso político do Senado e a influenciar diretamente os rumos institucionais do país no próximo período.

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