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Haddad defende "juros de um dígito” no Brasil

Ministro diz que juros elevados estão em nível restritivo e podem desacelerar economia, afetando arrecadação e desempenho das contas públicas

Ministro da Fazenda Fernando Haddad em Brasília 13/1/2026 REUTERS/Adriano Machado (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

247 - O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta sexta-feira (6) que a atual taxa básica de juros do Brasil, fixada em 15% ao ano, está em um patamar restritivo e pode comprometer o esforço fiscal do governo federal. A declaração foi dada durante um evento do PT em Salvador, na Bahia.

Segundo Haddad, juros elevados podem afetar diretamente a condução da política fiscal, especialmente se provocarem uma desaceleração econômica mais intensa. “Taxa de juros está restritiva em um patamar que pode comprometer, inclusive, o trabalho fiscal. Porque, a partir do momento que a economia começar a desacelerar demais, você vai ter um rebatimento na política fiscal”, afirmou.

O ministro reforçou que não é a primeira vez que defende uma coordenação mais estreita entre política fiscal e política monetária, argumentando que as duas precisam caminhar juntas para garantir estabilidade econômica e crescimento sustentável.

Durante o evento, Haddad esclareceu que está de férias do cargo e que suas declarações não refletem uma posição oficial do Ministério da Fazenda. Ainda assim, avaliou que o Banco Central deu sinais de que pode iniciar uma trajetória de redução da taxa de juros.

De acordo com o ministro, a indicação feita na última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) — de que poderá haver corte de juros no próximo encontro — aponta para um possível processo consistente de afrouxamento monetário.

Haddad também ponderou que apenas os diretores do Banco Central, integrantes do Copom, possuem acesso completo às informações necessárias para definir o rumo da política monetária. “Quem está naquela cadeira sabe onde está apertando o calo”, disse.

Ministro defende juros de um dígito

Ainda em sua fala, Haddad afirmou que já vinha defendendo desde o ano passado a necessidade de iniciar uma trajetória consistente de redução dos juros, com o objetivo de afastar o país de um cenário permanente de taxas elevadas.

“Tenho dito, desde o ano passado, que eu achava que já era hora de começar pensar em uma trajetória consistente para não voltar mais. Nós temos de ir para o juro de um dígito e nunca mais pensar em juro de dois dígitos no Brasil”, declarou.

Em outra ocasião mencionada no relato, Haddad já havia afirmado que, caso ocupasse uma cadeira no Banco Central, teria votado pela redução da taxa de juros.

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