Indústria cria coalizão nacional em defesa da economia circular e do uso responsável dos plásticos
Grupo reúne setores estratégicos e defende políticas públicas baseadas em ciência, reciclagem e inovação
247 - A indústria brasileira deu um passo importante nesta terça-feira (2) com o lançamento da Coalizão Brasil Circular, movimento que reúne 22 entidades representativas de setores estratégicos da economia em defesa de uma agenda voltada à economia circular e ao uso responsável dos plásticos.
A iniciativa surge em meio ao avanço de debates regulatórios no Congresso Nacional e no governo federal sobre restrições e possíveis banimentos de produtos plásticos, tema que impacta cadeias produtivas responsáveis por milhares de empresas, empregos e investimentos no país.
A Coalizão reúne representantes da indústria de transformação plástica, bebidas, reciclagem, agronegócio, fibras sintéticas, tintas, insumos farmacêuticos e do setor químico. Segundo os organizadores, o objetivo é construir uma agenda multissetorial baseada em ciência, inovação, sustentabilidade e responsabilidade compartilhada.
Defesa de critérios técnicos
No manifesto lançado pela Coalizão Brasil Circular, as entidades defendem que o debate sobre sustentabilidade e gestão de resíduos seja conduzido com base em critérios técnicos, estudos de avaliação de ciclo de vida, neutralidade tecnológica e fortalecimento da infraestrutura de reciclagem.
O documento argumenta que políticas públicas voltadas à sustentabilidade precisam considerar impactos econômicos, capacidade produtiva, infraestrutura disponível e efeitos sociais ao longo de toda a cadeia produtiva.
O grupo manifesta apoio ao Projeto de Lei nº 1.874/2022, que institui a Política Nacional de Economia Circular, mas demonstra preocupação com propostas que preveem restrições generalizadas ou banimentos de produtos plásticos sem avaliações técnicas aprofundadas, como os projetos de lei nº 258/2024 e nº 2.524/2022.
Impactos econômicos e competitividade
De acordo com a Coalizão, medidas consideradas desconectadas da realidade industrial podem provocar perda de competitividade, aumento de custos, insegurança regulatória e impactos relevantes sobre o emprego e a produção.
As entidades destacam ainda que a indústria brasileira vem avançando em iniciativas de descarbonização, inovação e eficiência produtiva, impulsionadas por uma matriz energética majoritariamente renovável e por investimentos em redesign de produtos, logística reversa, reciclagem mecânica e reciclagem química.
Reciclagem e inclusão produtiva
Outro ponto central do manifesto é a defesa da responsabilidade compartilhada entre indústria, consumidores e poder público na gestão de resíduos.
A Coalizão também propõe a ampliação da infraestrutura de coleta, triagem e reaproveitamento de materiais, destacando o papel estratégico da reciclagem na geração de renda, no fortalecimento das cooperativas e na inclusão produtiva.
Segundo o documento, o Brasil possui condições favoráveis para assumir protagonismo na transição para modelos produtivos mais sustentáveis, graças à sua base industrial diversificada, capacidade tecnológica e uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo.
Entidades signatárias
Assinam o manifesto a Associação Brasileira da Indústria de Álcalis, Cloro e Derivados (Abiclor), Associação Brasileira da Indústria de Insumos Farmacêuticos (Abiquifi), Associação Brasileira da Indústria de Química Fina, Biotecnologia e suas Especialidades (Abifina), Associação Brasileira da Indústria do PET (Abipet), Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas (Abir), Associação Brasileira de Produtores de Fibras Artificiais e Sintéticas (Abrafas), Associação Brasileira dos Fabricantes de Tintas (Abrafati), Associação Brasileira de Produtores de Fibras Poliolefínicas (Afipol), Conselho Federal de Química (CFQ), CropLife Brasil, Instituto Brasileiro do PVC (IBPVC), Federação das Indústrias do Estado da Bahia (Fieb), Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado do Rio de Janeiro (Simperj), Sindicato da Indústria de Material Plástico do Estado da Bahia (Sindiplasba), Sindicato da Indústria de Material Plástico, Transformação e Reciclagem de Material Plástico do Estado de São Paulo (Sindiplast), Sindicato das Indústrias Químicas no Estado do Rio Grande do Sul (Sindiquim), Sindicato das Indústrias Plásticas do Sul Catarinense (Sinplasc), Sindicato das Indústrias de Material Plástico no Estado do Rio Grande do Sul (Sinplast-RS) e Sindicato da Indústria de Produtos Químicos para Fins Industriais do Estado do Rio de Janeiro (Siquirj).



