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Isenção do IR e reajuste do salário mínimo vão injetar R$ 110 bilhões na economia em 2026

Medidas que entram em vigor neste 1º de janeiro ampliam renda de milhões de brasileiros e impulsionam comércio, indústria e serviços

Fernando Haddad e Lula (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

247 - Duas mudanças estruturais na política econômica brasileira passaram a valer a partir de 1º de janeiro de 2026 e vão produzir efeitos diretos sobre o consumo e a atividade produtiva. A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) para salários de até R$ 5 mil e o reajuste do salário mínimo para R$ 1.621 elevam a renda disponível de milhões de famílias e devem injetar cerca de R$ 110 bilhões na economia ao longo do ano.

No caso do Imposto de Renda, a mudança representa um alívio significativo para trabalhadores assalariados. Até dezembro, a isenção total alcançava apenas quem recebia até R$ 3.036 mensais. Com a nova regra, cerca de 10 milhões de pessoas que ganham até R$ 5 mil deixam de pagar o tributo. Um trabalhador nessa faixa, que em dezembro ainda teve desconto de aproximadamente R$ 335 de IR na fonte, passará a receber o valor integral do salário a partir do pagamento de janeiro, o que significa um ganho mensal superior a R$ 300 e quase R$ 4 mil ao longo de um ano.

Além disso, outros 6 milhões de contribuintes com rendimentos entre R$ 5 mil e R$ 7.350 também serão beneficiados com redução do imposto retido na fonte. Ao celebrar a aprovação da medida no Congresso Nacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) destacou o efeito multiplicador da iniciativa sobre a economia. “Um estímulo extraordinário para o comércio, a indústria, o setor de serviços, o empreendedorismo. Que vai gerar mais empregos, mais oportunidades e mais renda. O país inteiro vai ser beneficiado”, afirmou Lula em pronunciamento oficial. Segundo o governo, somente a ampliação da isenção do IR deve gerar impacto de R$ 28 bilhões na economia ao longo de 2026.

Outra frente relevante é a valorização do salário mínimo, que passou de R$ 1.518 para R$ 1.621, um reajuste de 6,79%. A política adotada combina a reposição da inflação com aumento real baseado no crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). Criada em 2007, ela havia sido interrompida entre 2016 e 2022 e foi retomada em 2023. Desde então, o ganho real acumulado já chega a 14,8% em quatro anos.

O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho (PT), ressaltou a importância do aumento para o dinamismo econômico. “Esse crescimento injeta na economia cerca de R$ 7 bilhões por mês. Ajuda a gerar emprego, e a economia e funcionar bem”, declarou.

O novo valor do salário mínimo beneficia diretamente mais de 34 milhões de trabalhadores. Quando considerados aposentados, pensionistas, pessoas com deficiência, beneficiários do seguro-desemprego e outros grupos que têm rendimentos atrelados ao mínimo, o impacto alcança cerca de 62 milhões de brasileiros. De acordo com o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), apenas o reajuste do mínimo deve acrescentar R$ 81,7 bilhões à economia nacional em 2026.

Somadas, a ampliação da isenção do Imposto de Renda e a política de valorização do salário mínimo reforçam o poder de compra da população, estimulam o consumo interno e ampliam a circulação de recursos em diversos setores, com reflexos também na arrecadação e no financiamento de políticas públicas.

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