Lista de credores expõe descontrole na contabilidade das Lojas Americanas, afirmam advogados

Três instituições - Deutsche, Bank BV (ex-Banco Votorantim) e BTG - questionaram valores divulgados pela gigante do varejo

www.brasil247.com - Da esq. para a dir. estão os três principais acionistas da Americanas - Carlos Alberto Sicupira, Paulo Lemann e Marcel Telles
Da esq. para a dir. estão os três principais acionistas da Americanas - Carlos Alberto Sicupira, Paulo Lemann e Marcel Telles (Foto: Divulgação | Reuters)


247 - Advogados avaliaram que a lista completa de credores das Lojas Americanas, apresentada pela empresa na noite de terça-feira (24) em seu processo de recuperação judicial, representa descontrole da contabilidade da empresa. Três instituições - Deutsche Bank BV (ex-Banco Votorantim) e BTG - questionaram os valores divulgados pela gigante do varejo. As entrevistas dos advogados foram publicadas nesta quarta-feira (25) pela Bloomberg

No pedido de recuperação judicial, a Americanas informou que sua dívida total era de R$ 43,1 bilhões, com 16.300 credores. Mas a lista completa das empresas com valores a receber apresentou números diferentes: R$ 41,2 bilhões devidos a 7.720 credores.

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De acordo com o advogado Renato Leopoldo, os “desecontros” de valores são novas amostras do que chama de desorganização interna da contabilidade da Americanas. "É uma situação que acaba demonstrando a falta de atenção maior e de controle da gestão interna da empresa".

O defensor disse que o “controle não tão atento” pode prejudicar a recuperação judicial. “Muitas vezes a empresa prepara o pedido a toque de caixa porque precisa de um deferimento rápido e acaba não se atentando a pontos centrais do pedido.”

O advogado Fernando Brandariz, sócio do Mingrone e Brandariz e especialista em recuperação judicial de empresas, disse haver “um descontrole”. “Até outro dia, a empresa não sabia o tamanho da dívida”, disse. “Pode ser que a empresa não saiba exatamente qual o tamanho da dívida que tem com cada credor e está colocando valores mais altos para que o credor vá à Justiça e diga o tamanho real do crédito”.

Instituições contestam

O Deutsche Bank, por exemplo, apareceu como credor de US$ 1 bilhão, ou cerca de R$ 5,2 bilhões. Mas o banco alemão disse não ter crédito junto à empresa. Em nota, disse que “não foi afetado” pelo caso Americanas.

O BV (ex-Banco Votorantim) também questionou os valores divulgados. O banco foi citado como dono de R$ 3,2 bilhões em créditos, mas, em comunicado divulgado nesta quarta, afirmou ser credor de cédulas de crédito bancário (CDB) de “aproximadamente R$ 206 milhões”.

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O BTG também entra na lista de credores que contestam o que diz a Americanas. No documento enviado à Justiça, o banco aparece como credor de R$ 3,5 bilhões. Mas, em petições apresentadas à Justiça, o BTG afirma que, desse total, R$ 1,2 bilhão são referentes a emissões de debêntures já compensadas com a Americanas, que não poderiam ser computadas como dívidas.

Bradesco e Santander decidiram entrar na guerra contra as Americanas. Os bancos entraram com uma ação na Justiça para responsabilizar os acionistas Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira pelo rombo na varejista.

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