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Lula reúne ministros para debater medidas contra endividamento das famílias

Governo avalia renegociação com descontos de até 80% para aliviar dívidas e conter impacto econômico

Presidente Lula, 31 de março de 2026 (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reuniu ministros no Palácio do Planalto para discutir medidas voltadas à redução do endividamento das famílias, incluindo a criação de um novo programa de renegociação com descontos que podem chegar a até 80%, informa o jornal O Globo. A iniciativa busca aliviar o peso das dívidas no orçamento doméstico e enfrentar um cenário que preocupa o governo a poucos meses do processo eleitoral.

Participaram do encontro o vice-presidente Geraldo Alckmin e integrantes da equipe econômica, como Dario Durigan (Fazenda), Bruno Moretti (Planejamento), Luiz Marinho (Trabalho), Esther Dweck (Gestão) e o secretário de Política Econômica, Guilherme Mello.

Nos bastidores, o aumento do endividamento das famílias tem sido apontado como um fator que pressiona a avaliação do governo. O diagnóstico é que o problema se agravou nas últimas semanas, influenciado pelo patamar elevado dos juros, o que tem limitado a recuperação financeira dos consumidores.

Ainda durante a campanha de 2022, Lula havia prometido enfrentar o alto nível de endividamento herdado do período anterior. Em 2023, já no início do mandato, o governo lançou o programa Desenrola, voltado à renegociação de dívidas. No entanto, três anos depois, os indicadores permanecem próximos aos registrados naquele período.

Dados oficiais mostram que o endividamento das famílias atingiu um pico em julho de 2022, quando a relação entre o total de dívidas e a renda acumulada em 12 meses chegou a 49,9%, desconsiderando o financiamento imobiliário. O índice encerrou aquele ano em 49% e voltou a subir, alcançando 49,7% em janeiro de 2026, último dado disponível. Além disso, o comprometimento da renda com parcelas atingiu um recorde de 29,3%.

O plano em análise prevê a criação de uma nova rodada de renegociação, com formato mais enxuto e duração reduzida em relação ao Desenrola. A proposta deve priorizar modalidades com juros mais elevados, como cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal sem garantia.

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, indicou que a intenção é viabilizar descontos de até 80% sobre o valor das dívidas, combinados com o refinanciamento do saldo restante. Também está em debate a possibilidade de estabelecer limites para as taxas de juros nos novos contratos, medida que vem sendo considerada pelo setor financeiro diante das garantias que podem ser oferecidas pelo governo.

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