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Mulheres relatam maior sofrimento financeiro do que homens, aponta Datafolha

Pesquisa revela desigualdade de renda, maior endividamento e impacto mais intenso na saúde física e mental das brasileiras

Endividamento é hoje uma das preocupações centrais dos brasileiros (Foto: Brasil 247)

247 – As mulheres brasileiras enfrentam maior sofrimento em relação à situação financeira do que os homens, segundo pesquisa Datafolha realizada nos dias 8 e 9 de abril. O levantamento, que ouviu 2.002 pessoas em 117 municípios do país, foi divulgado pelo jornal Folha de S. Paulo e revela um quadro de maior insegurança, desânimo e impacto negativo das finanças na vida das mulheres.

Os dados mostram que 4 em cada 10 brasileiros classificam seu humor em relação às finanças como ruim ou péssimo. Entre as mulheres, esse percentual é ainda mais elevado, chegando a 44%, contra 36% entre os homens. O índice foi construído com base em sentimentos como preocupação, desânimo, tristeza, insegurança, medo do futuro e despreparo financeiro.

Desigualdade de renda amplia vulnerabilidade

Um dos principais fatores apontados para essa diferença é a desigualdade salarial entre homens e mulheres. De acordo com o economista-chefe da CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo), Fabio Bentes, o rendimento feminino é, em média, cerca de 20% inferior ao masculino.

"Há a questão socioeconômica. O rendimento das mulheres é, em média, cerca de 20% menor do que o dos homens, o que já as coloca em situação de maior vulnerabilidade financeira", afirma Bentes.

A disparidade se intensifica em cargos de liderança, onde a diferença salarial pode chegar a 30% em favor dos homens, refletindo também a menor presença feminina nessas posições.

Maior endividamento e exclusão do mercado de trabalho

Além de ganhar menos, as mulheres também aparecem com maior frequência entre os negativados. O levantamento indica que um percentual mais elevado de mulheres possui dívidas em atraso, o que agrava a sensação de insegurança financeira.

Outro ponto relevante é a menor inserção feminina no mercado de trabalho, o que aumenta a exposição a situações de inadimplência e limita a capacidade de recuperação financeira.

Bentes destaca ainda uma transformação social recente: o crescimento do número de mulheres que chefiam suas famílias.

"Muitas vivem sozinhas e acabam assumindo a responsabilidade financeira pelas suas famílias", explica.

Impacto direto na saúde física e mental

A pesquisa também revela que as mulheres percebem com mais intensidade os efeitos das dificuldades financeiras sobre a saúde. Elas relatam maior impacto tanto na saúde mental quanto no bem-estar geral.

O estudo avaliou ainda reflexos no desempenho profissional e nos estudos, indicando que a pressão financeira tem consequências amplas na vida cotidiana, especialmente para o público feminino.

Situação financeira ainda é vista como regular

Apesar do cenário de insatisfação, quase metade dos brasileiros classifica sua situação financeira atual como regular. Outros 40% consideram as finanças pessoais e familiares boas ou ótimas.

Esse dado sugere um quadro intermediário, em que a estabilidade é frágil e marcada por incertezas.

Expectativa de melhora no futuro

Mesmo diante das dificuldades, a pesquisa aponta um grau relevante de otimismo. A maioria dos entrevistados acredita que sua situação financeira irá melhorar significativamente no futuro, enquanto cerca de 30% esperam uma melhora gradual.

O contraste entre o presente desafiador e a expectativa positiva indica que, embora pressionados, os brasileiros ainda mantêm esperança de recuperação econômica — ainda que essa perspectiva seja mais difícil para as mulheres, diante das desigualdades estruturais evidenciadas pelo levantamento.

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