Petrobras amplia produção em 2025, exportações batem recorde e China lidera compras
Além do avanço na produção, o relatório aponta um recorde nas exportações de petróleo
247 – A Petrobras encerrou 2025 com alta na produção total de petróleo e gás e com exportações em nível recorde, mesmo em um cenário de preços internacionais mais baixos. As informações constam de um relatório divulgado na noite de 10 de fevereiro e detalhado pelo jornal O Globo, que também destacou o avanço das vendas de combustíveis no mercado brasileiro e o salto nas importações de derivados.
A produção total da Petrobras cresceu 10,8% em 2025 e alcançou 2,990 milhões de barris de óleo equivalente por dia (Mboe). O desempenho foi puxado principalmente pelo pré-sal: a produção nessa camada atingiu 2,020 milhões de boe, um avanço de 11,4% no ano. No mesmo período, a estatal reportou aumento nas exportações de petróleo e movimentações relevantes no abastecimento doméstico — com crescimento na comercialização de gasolina e diesel e queda expressiva na venda de óleo combustível.
Produção cresce com pré-sal, eficiência e novas plataformas
No relatório, a Petrobras atribuiu o aumento de produção a um conjunto de fatores operacionais. Entre eles, a companhia apontou o aumento da capacidade dos FPSOs (unidades flutuantes de produção, armazenamento e transferência), menor volume de perdas com paradas para manutenção na Bacia de Campos, maior eficiência operacional e entrada em operação de novas plataformas.
A estatal também registrou a abertura de novos poços no mar ao longo do ano. Segundo a empresa, foram 44 novos poços em ambiente marítimo, reforçando o esforço de expansão e sustentação da produção. O conjunto desses elementos ajuda a explicar por que o pré-sal voltou a concentrar o destaque do desempenho anual, elevando a média diária do sistema e ampliando a capacidade de atendimento tanto ao mercado interno quanto às exportações.
Exportações batem recorde e China responde por mais da metade
Além do avanço na produção, o relatório aponta um recorde nas exportações de petróleo. Em 2025, os embarques atingiram 765 mil barris por dia, o que representa alta de 27,1% em relação ao ano anterior. A Petrobras detalhou a distribuição dos destinos e indicou uma forte concentração na Ásia.
A China foi o principal comprador, respondendo por 53% do petróleo exportado. Na sequência, aparecem Europa (13%), Índia (12%), América Latina (8%) e Estados Unidos (3%). Os números mostram que, mesmo em um ambiente de preços menos favorável, a estatal manteve tração comercial externa e consolidou a China como destino dominante do petróleo brasileiro exportado pela companhia.
Mercado interno: gasolina e diesel sobem, óleo combustível cai
No mercado brasileiro, a Petrobras registrou alta de 1,6% na venda de derivados em 2025. O resultado, segundo a estatal, foi influenciado pelo desempenho de gasolina e diesel, combustíveis que têm grande peso no consumo nacional.
A comercialização de gasolina cresceu 2%. Já o diesel teve avanço ainda maior, de 5,2%. Ao mesmo tempo, a empresa reportou uma queda expressiva nas vendas de óleo combustível, com recuo de 28,6%. A Petrobras atribuiu esse movimento à migração do consumo da indústria nas regiões Norte e Nordeste para o gás natural, indicando uma mudança de matriz energética em parte do parque industrial dessas regiões, com impacto direto na demanda por esse derivado.
Importações de derivados disparam e Petrobras aponta limite de refino em paradas
O relatório também evidencia um aumento importante nas importações de combustíveis. As importações de gasolina subiram 18% em 2025. No caso do diesel, o salto foi ainda mais forte: 91,7%. A Petrobras afirmou que esse avanço está relacionado às paradas de manutenção de suas refinarias e ao fato de que o parque de refino não tem capacidade de produzir todo o combustível que o país consome.
O dado combina dois pontos relevantes para o debate sobre abastecimento: de um lado, a demanda doméstica em níveis que pressionam o sistema; de outro, as limitações operacionais temporárias decorrentes de manutenção, que reduzem a oferta local e ampliam a necessidade de importação para garantir o atendimento ao mercado.
Aviação: melhor resultado em seis anos e primeiras entregas de SAF no Galeão
Entre os destaques do relatório, a Petrobras apontou o desempenho do querosene de aviação (QAV). As vendas do produto cresceram 6,4%, o que a empresa classificou como o melhor resultado em seis anos.
A estatal também informou que realizou as primeiras entregas de QAV sustentável, conhecido como SAF, no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro. A Petrobras detalhou o volume e o significado operacional dessa entrega: “O volume de 3 mil metros cúbicos abasteceu distribuidoras no Aeroporto Internacional Tom Jobim e equivale a cerca de um dia de consumo dos aeroportos do Rio de Janeiro”, informou a empresa.
“Mesmo em um cenário de preços mais baixos”, diz diretora sobre recordes e reservas
Ao comentar os resultados, a diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, vinculou o desempenho ao cumprimento de metas e à robustez operacional da companhia em um contexto internacional menos favorável. Ela também mencionou evolução em reservas, segundo o relatório.
“Mesmo em um cenário de preços mais baixos, entregamos recordes de produção, superamos nossos guidances (previsões) e reforçamos a resiliência da E&P (exploração e produção). Esse desempenho foi acompanhado por uma adição significativa de reservas provadas em 2025” — afirma Sylvia Anjos, diretora de Exploração e Produção da estatal.
Os números de produção, exportações e dinâmica de derivados revelam um retrato complexo: expansão no pré-sal e recorde de embarques, ao mesmo tempo em que o mercado interno exige resposta constante de abastecimento, com paradas de refinarias influenciando importações. Dentro do que a Petrobras descreve no relatório, o resultado de 2025 combina aumento de capacidade e eficiência operacional com desafios recorrentes do sistema de refino e da demanda doméstica por combustíveis.


