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Petrobras suspende leilão de GLP para conter preço do gás

Petrobras suspende leilão de GLP após pressão sobre botijão e tenta evitar alta no gás de cozinha em meio a subsídio federal

gas de cozinha (Foto: Reuters/Caetano Barreira)
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247 - A Petrobras decidiu suspender temporariamente a realização de novos leilões de GLP, o gás de cozinha, numa tentativa de reduzir a pressão sobre o preço do botijão de 13 quilos e evitar uma nova rodada de aumentos ao consumidor. A medida ocorre após a repercussão negativa do certame realizado em 31 de março, que gerou forte reação política e interna na estatal, segundo o jornal O Globo.

Segundo a reportagem de O Globo, a decisão foi tomada em um contexto de tensão entre a política de preços da Petrobras, a defasagem em relação às cotações internacionais e a preocupação do governo com o impacto do gás de cozinha no orçamento das famílias. O tema é considerado sensível pelo presidente Lula, que tem o botijão de gás como uma das principais bandeiras de sua política social.

No leilão de 31 de março, a Petrobras ofertou volumes de GLP com valores que poderiam representar acréscimo de até R$ 39,40 no preço do botijão de 13 quilos. Embora os preços tenham variado conforme a região, todos ficaram acima da referência adotada pela estatal, que não acompanha diretamente as cotações internacionais.

A operação provocou desgaste dentro e fora da companhia. Depois das críticas, o certame foi cancelado, parte dos valores foi devolvida às empresas e houve mudanças na estrutura responsável pela área. O episódio resultou na exoneração do diretor ligado ao segmento e do gerente que conduziu o leilão, decisão que teria desagradado à presidente da Petrobras, Magda Chambriard.

Atualmente, a Petrobras responde por cerca de 75% do GLP consumido no país. Os 25% restantes são importados, em sua quase totalidade pela própria estatal. Fontes do setor apontam que a companhia estaria praticando uma defasagem de aproximadamente 30% em relação aos preços internacionais, o que amplia a pressão sobre as margens e sobre a formação de preços no mercado interno.

Na prática, os leilões vinham funcionando como uma forma indireta de reajuste. Distribuidoras aceitavam pagar mais para garantir volumes extras de gás, especialmente em períodos de maior demanda, e esse movimento acabava criando pressão adicional sobre o preço final. Com a suspensão dos certames, o governo e a Petrobras buscam conter uma escalada no valor do botijão sem anunciar um reajuste formal na tabela.

A decisão, porém, também gera preocupação entre empresas do setor. Distribuidoras menores e regionais avaliam que, sem os leilões, pode haver maior dificuldade para acessar produto adicional em momentos de aumento de consumo. A chegada do inverno, especialmente na Região Sul, tende a elevar a demanda por GLP e exige planejamento antecipado das companhias.

A suspensão dos leilões ocorre em meio à estratégia do governo para segurar o preço do gás de cozinha. Em abril, foi anunciada uma subvenção para o GLP importado, com o objetivo de permitir que o produto comprado no exterior seja vendido no Brasil em condições equivalentes às do gás produzido nacionalmente.

De acordo com os cálculos do Ministério da Fazenda citados na reportagem, a subvenção será de R$ 850 por tonelada de GLP importado. O custo total estimado é de R$ 330 milhões. O mecanismo terá duração inicial de dois meses e poderá ser prorrogado por igual período.

O desenho da medida prevê que os importadores comprem o GLP pelo preço internacional, mas sejam ressarcidos pela União pela diferença em relação ao valor nacional. Para que a política entre em operação, o mercado ainda aguarda a publicação de uma resolução da ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), que definirá os critérios de acesso ao ressarcimento.

Até a publicação da reportagem original, a ANP não havia se manifestado sobre o tema. A regulamentação é considerada essencial para dar segurança às empresas e operacionalizar o subsídio anunciado pelo governo.

O preço do GLP ao consumidor final, segundo dados da ANP mencionados por O Globo, tem permanecido relativamente estável nas últimas semanas. O botijão de 13 quilos vem sendo vendido em torno de R$ 114. No início de abril, o valor médio era de R$ 112,42, o que indica que a interrupção dos leilões ainda não foi repassada de forma expressiva ao consumidor.

O gás de cozinha também está no centro da política social do governo Lula. O programa Gás do Povo foi criado para substituir o antigo vale-gás e prevê a oferta de um voucher para recarga de botijões de 13 quilos a famílias inscritas no Bolsa Família e com renda per capita de até meio salário mínimo.

Com a suspensão dos leilões, a Petrobras tenta reduzir a tensão política e comercial aberta após o episódio de março, ao mesmo tempo em que administra a diferença entre os preços internos e externos. A combinação entre subvenção federal, controle da oferta e estabilidade no varejo será decisiva para evitar nova pressão sobre o botijão de gás nos próximos meses.

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