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Lula defende fundo para terras raras e vê tema como soberania nacional

Presidente afirma que Brasil deve industrializar minerais estratégicos no país e criar mecanismo para beneficiar a população

Lula defende fundo para terras raras e vê tema como soberania nacional (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
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247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a criação de um fundo nacional para as terras raras, com o objetivo de assegurar que a exploração desses minerais estratégicos beneficie a população brasileira. A declaração foi feita em entrevista especial ao programa Sem Censura, apresentado por Cissa Guimarães, nesta sexta-feira (22).

Na entrevista, Lula afirmou que o governo trata o tema como assunto de Estado e de segurança nacional, diante do interesse internacional crescente pelas reservas brasileiras de terras raras, grupo de elementos químicos usados em setores estratégicos como tecnologia, energia, indústria de defesa e transição energética.

Ao responder a uma pergunta sobre o interesse dos Estados Unidos nas reservas brasileiras, Lula disse que o país ainda conhece apenas parte do próprio potencial mineral. Segundo ele, “nós só conhecemos 30% do nosso território”, o que exigiria ampliar estudos, levantamentos e prospecções.

O presidente afirmou ter criado uma instância específica para coordenar a política nacional sobre o tema. “Eu criei um conselho nacional para tratar a questão das terras raras e esse conselho vai ser ligado diretamente à presidência da República, porque nós estamos tratando isso como uma questão de segurança nacional. É uma coisa de Estado, é soberania nacional”, declarou.

Lula também indicou que o governo pretende evitar a repetição de um modelo baseado apenas na extração e exportação de recursos naturais. Ele comparou o caso das terras raras com a trajetória histórica do minério de ferro no país e afirmou que o objetivo é agregar valor dentro do território nacional.

“Nós não vamos mais fazer com os minerais fritos, com a terra rara, o que foi feito com o minério de ferro. Vai cavucando e vai vendendo, vai cavucando e vai vendendo. Não. Nós queremos que o processo de transformação seja feito aqui no Brasil”, disse.

Segundo o presidente, empresas de diferentes países poderão participar de projetos no setor, desde que aceitem discutir pesquisa, prospecção e industrialização em solo brasileiro. Lula citou companhias americanas, chinesas, russas, francesas e argentinas como possíveis interessadas.

“Nós não temos vetos. A empresa americana, a empresa chinesa, a empresa russa, a empresa francesa, a empresa nem da Argentina, que o milênio eu tenho reserva. Quem quiser vir para o Brasil, discutir conosco e fazer a pesquisa, fazer a prospecção e quiser fazer o processo de industrialização aqui no Brasil, nós estaremos dispostos a conversar com todo mundo”, afirmou.

O presidente reconheceu que há forte disputa global pelos minerais estratégicos. “Tem muita gente que quer. A Europa inteira quer, os Estados Unidos querem, todo mundo quer. Porque é o futuro que tem jogo, é o futuro”, disse.

Lula defendeu, no entanto, que a exploração seja conduzida com cautela para impedir que o patrimônio mineral brasileiro seja apropriado apenas por interesses privados. Para ele, os ganhos econômicos precisam ser direcionados ao desenvolvimento nacional e à redução de desigualdades.

“Isso é o patrimônio do povo brasileiro. Então, se a gente vai explorar a terra rara, o que salvou a gente quando a gente criou o Fundo Social com o dinheiro do Petrobras? Depois que a gente criou o Prefácio. Nós temos que criar um fundo, porque isso é propriedade do povo”, declarou.

O presidente acrescentou que a eventual riqueza obtida com as terras raras deve chegar também à população mais pobre. “Então, se a gente vai ganhar dinheiro com isso, um fundo tem que ser criado para garantir que o povo brasileiro, o mais humilde, que mora no mais longínquo lugar, tenha direito a participar disso. Para que seja um motor de desenvolvimento econômico. É isso”, afirmou.

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