'Brigo todo dia para baixar o preço do combustível', diz Lula
Presidente afirma que governo fiscaliza distribuidoras, critica privatização da BR e tenta conter impactos externos no diesel e na gasolina
247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o governo tem atuado de forma permanente para evitar altas injustificadas no preço dos combustíveis e reduzir o impacto da conjuntura internacional sobre consumidores, caminhoneiros, taxistas e motoristas em geral. A declaração foi dada em entrevista à edição especial do programa Sem Censura, apresentado por Cissa Guimarães, nesta sexta-feira (22).
Ao comentar a pressão sobre os preços, Lula disse que se reúne semanalmente com integrantes do governo e da Petrobras para discutir medidas de contenção. Segundo ele, a preocupação central é impedir que conflitos externos afetem diretamente o custo de vida da população brasileira, especialmente em itens básicos e no transporte.
“Eu brigo todo santo dia”, afirmou Lula, ao tratar das iniciativas do governo para impedir novas altas. O presidente citou conversas frequentes com a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, e com ministros da área econômica, em busca de alternativas para evitar que a instabilidade internacional pressione o mercado interno.
Lula afirmou que, na semana em que os preços do petróleo subiram em razão da guerra envolvendo os EUA, Israel e o Irã, o governo decidiu cobrar imposto sobre a exportação de petróleo para compensar os ganhos das empresas com a alta internacional. De acordo com ele, a arrecadação seria usada para proteger quem depende diretamente dos combustíveis no dia a dia.
“Nós vamos cobrar o imposto da exportação de petróleo, que cresceu muito e as empresas estão ganhando muito dinheiro com a exportação do petróleo subindo. E esse imposto nós vamos utilizar para evitar que o preço suba para o caminhoneiro, para o taxista, para o motorista comum”, declarou.
O presidente também disse que o governo buscou diálogo com os governadores para reduzir a pressão tributária sobre os combustíveis. Segundo Lula, a União subsidiou parte do ICMS, enquanto os estados ficaram responsáveis pela outra metade, em uma tentativa de conter o repasse ao consumidor final.
Mesmo com essas iniciativas, Lula afirmou que algumas distribuidoras não respeitaram as medidas adotadas. Ele relacionou a dificuldade de controle à privatização da BR Distribuidora, defendendo que o governo perdeu instrumentos diretos para interferir no setor.
“Porque se ele não tivesse privatizado a BR, a gente teria como controlar, porque nós tínhamos a distribuidora, mas eles privatizaram a BR. Esse foi o desserviço que eles fizeram ao Brasil, dizendo que ia melhorar. O que melhorou a privatização da BR? Nada”, afirmou.
Lula também criticou a atuação das agências reguladoras e disse que parte delas perdeu sua função original de controle do mercado. Para o presidente, as agências passaram a atuar de forma próxima aos interesses empresariais.
“As agências, que eram uma coisa reguladora, deixou de ser reguladora e ficou quase que representante de empresários. É uma coisa maluca o que aconteceu nesse país”, disse.
O presidente defendeu uma atuação mais dura da fiscalização federal para impedir aumentos que, segundo ele, não tenham justificativa econômica. Lula afirmou que a PF (Polícia Federal) e a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis devem ser mobilizadas para identificar irregularidades.
“O que nós temos é colocar a Polícia Federal, a Agência Nacional de Petróleo na rua para fiscalizar e multar ou prender quem está aumentando sem necessidade”, declarou.
Lula também rejeitou o argumento de que os reajustes seriam inevitáveis por causa dos importadores de combustíveis. Segundo ele, o Brasil não precisaria importar gasolina, embora ainda dependa de importação para parte do óleo diesel.
“Ora, quem foi que criou os importadores? Foram vocês. Porque a gente não precisa importar gasolina. Nós não precisamos importar gasolina. Nós importamos 30% do óleo diesel”, afirmou.
O presidente disse ainda que o governo acompanha o preço do biodiesel, considerado por ele uma alternativa estratégica para reduzir a dependência de importações. Segundo Lula, a mistura obrigatória pode ajudar a aliviar a pressão sobre o diesel, mas o preço do biocombustível também precisa cair para que a medida tenha efeito prático.
“Nós temos uma outra briga, querida, que é o seguinte, o biodiesel, que é uma válvula de escape nossa, está caro. E nós agora estamos conversando com os empresários por que o biodiesel está tão caro”, disse.
Apesar das dificuldades, Lula afirmou que o Brasil tem conseguido limitar os impactos da alta internacional dos combustíveis em comparação com outros países. O presidente, no entanto, disse que ainda há agentes do mercado praticando aumentos indevidos e que o governo está tentando identificá-los.
“Eu posso te dizer o seguinte: o Brasil é hoje o país que o povo menos sofre o aumento do combustível, embora tenha alguns malandros que aumentaram. E nós estamos atrás deles”, afirmou.



