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Petróleo cai abaixo de US$ 90 após Irã reabrir estreito de Ormuz

Queda do petróleo após reabertura de Ormuz derruba preços globais e impacta ações de petroleiras em meio a expectativas de acordo entre EUA e Irã

Petróleo cai abaixo de US$ 90 após Irã reabrir estreito de Ormuz (Foto: Reuters)

247 - A queda do petróleo após a reabertura do Estreito de Ormuz pelo Irã derrubou os preços globais da commodity nesta sexta-feira (17), levando o barril Brent a ficar abaixo de US$ 90 pela primeira vez em mais de um mês e provocando fortes impactos no mercado financeiro, em meio a expectativas de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã. 

O movimento foi desencadeado após o governo iraniano anunciar a retomada do tráfego marítimo no estreito, rota estratégica por onde circula cerca de 20% da produção mundial de petróleo e gás. Minutos após a confirmação, o barril do tipo Brent, referência internacional, despencou para US$ 87,80 por volta das 10h10, acumulando queda de aproximadamente 11,66% e atingindo o menor nível desde 11 de março.

O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, confirmou a decisão em publicação nas redes sociais: "A passagem de todos os navios comerciais pelo estreito de Ormuz foi declarada totalmente aberta para o período restante do cessar-fogo". Ele, no entanto, não especificou a qual acordo de cessar-fogo se referia — se ao entendimento entre Israel e Líbano ou ao pacto firmado entre Irã e Estados Unidos.

A sinalização foi bem recebida pelo presidente norte-americano, Donald Trump, que reagiu de forma sucinta: "Obrigado!", escreveu em sua rede Truth Social. O republicano também afirmou confiar na possibilidade de um acordo entre Washington e Teerã, impulsionado pela recente trégua de dez dias entre Israel e Líbano.

Impacto nos mercados e nas empresas

A queda do petróleo rapidamente se refletiu nas ações de empresas do setor. No Brasil, papéis da Petrobras registraram perdas superiores a 5% no pregão, enquanto companhias como Prio recuaram cerca de 7%. PetroRecôncavo e Brava também tiveram desempenho negativo, com baixas de 3% e 4%, respectivamente.

O petróleo WTI, referência nos Estados Unidos, acompanhou o movimento de desvalorização e atingiu US$ 83,03 no mesmo horário, com queda próxima de 12%.

Reflexos globais e comportamento das bolsas

A instabilidade também se refletiu nos mercados internacionais. Na Ásia, as principais bolsas fecharam em queda, com destaque para Tóquio (-1,75%), Hong Kong (-0,89%) e Seul (-0,55%). Já na Europa, o cenário foi positivo, com o índice Euro STOXX 600 subindo 1,58%, acompanhado por ganhos em Frankfurt, Paris, Madri, Londres e Milão.

Além disso, preocupações com o abastecimento continuam no radar. Autoridades do setor energético alertaram que países do Sudeste Asiático teriam reservas de combustível suficientes para apenas três meses caso interrupções no fluxo persistissem.