PIB do Brasil cresce 1,1% no primeiro trimestre de 2026
Agropecuária, indústria extrativa e serviços impulsionam a economia brasileira, que acumula alta de 2% em 12 meses
247 - O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil avançou 1,1% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com os três meses finais de 2025, atingindo R$ 3,3 trilhões. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (29) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio do Sistema de Contas Nacionais Trimestrais (SCNT).
Segundo o levantamento do IBGE, o crescimento da economia foi sustentado pelos três grandes setores produtivos do país. A Agropecuária registrou expansão de 2,0%, a Indústria avançou 1,0% e os Serviços cresceram 0,5% na comparação com o trimestre anterior, considerando os ajustes sazonais.
Em relação ao mesmo período de 2025, o PIB brasileiro apresentou alta de 1,8%. No acumulado dos últimos quatro trimestres, o crescimento da atividade econômica chegou a 2,0%.
Em valores correntes, a economia nacional gerou R$ 3,3 trilhões no período. Desse total, R$ 2,8 trilhões correspondem ao Valor Adicionado a preços básicos, enquanto R$ 461,2 bilhões referem-se aos Impostos sobre Produtos Líquidos de Subsídios.
Entre os destaques da atividade econômica, a Agropecuária teve papel central na expansão do PIB. A produção agrícola foi favorecida por condições climáticas positivas em grande parte das regiões produtoras e pela ampliação da área plantada. A safra de soja, principal cultura do país, alcançou nível recorde na série histórica, com crescimento estimado de 4,8% na produção anual.
O coordenador de Contas Nacionais do IBGE, Ricardo Montes de Moraes, destacou o perfil da expansão econômica no período.
“O crescimento do PIB, na série com ajuste sazonal, ficou próximo ao da Indústria, com os Serviços puxando o crescimento médio para baixo e a Agropecuária para cima. Não se pode somar resultados com ajuste sazonal mas, em linhas gerais, foi esse o perfil do crescimento por grupo de atividades no trimestre.”
Segundo o especialista, algumas atividades tiveram contribuição mais relevante para o resultado geral da economia.
“Levando-se em conta seus pesos no PIB, as atividades que mais contribuíram para o crescimento foram a Agropecuária, a Extrativa mineral e as Outras atividades de serviços.”
Na indústria, o principal destaque ficou com a atividade extrativa mineral, que cresceu 3,6% na comparação trimestral. A construção civil também apresentou desempenho positivo, com avanço de 2,9%. Já a indústria de transformação permaneceu praticamente estável, registrando variação de 0,1%, enquanto o segmento de eletricidade, gás, água, esgoto e gestão de resíduos recuou 0,3%.
No setor de serviços, responsável por cerca de 70% da economia brasileira, os melhores resultados vieram de Informação e Comunicação, que avançou 2,4%, seguida pelas Atividades Imobiliárias, com alta de 1,2%, e Outras Atividades de Serviços, que cresceram 0,8%. Também registraram desempenho positivo o Comércio (0,6%) e a Administração Pública, Saúde, Educação e Seguridade Social (0,4%).
Por outro lado, os segmentos de Transporte, Armazenagem e Correio (-0,7%) e Atividades Financeiras, de Seguros e Serviços Relacionados (-0,6%) apresentaram retração no período.
Pelo lado da demanda, o consumo das famílias cresceu 1,0% no trimestre, enquanto os investimentos, medidos pela Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), avançaram 3,5%. O consumo do governo também apresentou expansão de 0,4%.
Ricardo Montes de Moraes ressaltou a importância do consumo das famílias e da retomada dos investimentos para o desempenho da economia.
“Ele é o agregado com mais peso entre os usos e contribuiu para o maior crescimento da economia este trimestre. Já o investimento (FBCF) cresceu 3,5% depois de ter caído 3,4% no trimestre anterior (voltando ao patamar em que estava no fim do 3º trimestre do ano passado). Mesmo com um peso bem menor que o do consumo, ele também teve uma contribuição significativa para o crescimento no primeiro trimestre de 2026.”
No setor externo, as exportações de bens e serviços recuaram 1,7% em relação ao quarto trimestre de 2025, enquanto as importações cresceram 4,4%.
Na comparação com o primeiro trimestre do ano passado, os serviços apresentaram crescimento em todas as atividades pesquisadas. O destaque foi Informação e Comunicação, com alta de 7,6%, seguido por Atividades Imobiliárias (2,9%) e Atividades Financeiras (2,8%).
Na indústria, as atividades extrativas registraram expansão expressiva de 13,1%, impulsionadas principalmente pela produção de petróleo e gás natural. A construção civil também avançou 1,3%. Em sentido contrário, a indústria de transformação caiu 0,9%, influenciada pela retração na fabricação de máquinas e equipamentos (-9,4%) e nos serviços de impressão e reprodução de gravações (-10,2%).
Apesar do crescimento da economia, a Formação Bruta de Capital Fixo apresentou queda de 1,4% na comparação com o primeiro trimestre de 2025, refletindo a redução de 6,3% na produção de bens de capital.
Sobre esse desempenho, Moraes explicou: “A queda na produção de bens de capital entre o 1º trimestre de 2025 e o 1º trimestre de 2026 foi a responsável pela queda do investimento (FBCF) nesse período. Mesmo com crescimento na construção civil e na importação de máquinas e equipamentos, a queda na produção nacional puxou o índice para baixo.”
Já as exportações cresceram 7,4% na comparação anual, impulsionadas principalmente pelos embarques de petróleo e gás natural, produtos alimentícios e equipamentos de transporte. As importações avançaram 1,2%, com destaque para veículos automotores, derivados de petróleo e produtos farmacêuticos.
O próximo resultado do Sistema de Contas Nacionais Trimestrais, referente ao segundo trimestre de 2026, será divulgado pelo IBGE em 1º de setembro.




