Produção da soja tem previsão de novo recorde na série histórica em 2026
Levantamento do IBGE aponta 342,7 milhões de toneladas na produção agrícola de 2026 e projeta soja com 172,5 milhões, novo recorde da série histórica
247 - A safra brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas em 2026 deve alcançar 342,7 milhões de toneladas, aproximando-se do patamar recorde registrado em 2025. O desempenho é impulsionado principalmente pela soja, cuja produção tem previsão de atingir o maior volume já estimado na série histórica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
As informações constam no Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado nesta quinta-feira (12) pelo IBGE. O estudo indica que, embora o volume projetado para 2026 seja 1,0% menor que o de 2025 (346,1 milhões de toneladas), houve crescimento em relação ao levantamento de dezembro, com aumento de 2,8 milhões de toneladas, equivalente a 0,8%.
O gerente do LSPA, Carlos Barradas, destacou que a soja é o principal fator de sustentação da projeção elevada para o próximo ciclo agrícola.
“A safra brasileira de cereais, leguminosas e oleaginosas de 2026 está aproximando-se do recorde da safra de 2025, estando turbinada pela produção da soja, que é recorde da série histórica do IBGE. Até o momento, as condições climáticas estão beneficiando as lavouras da primeira safra”.
Arroz, milho e soja concentram quase toda a produção estimada
De acordo com o IBGE, arroz, milho e soja seguem como os três produtos centrais da agricultura brasileira, respondendo por 92,9% da produção estimada e por 87,5% da área prevista para colheita em 2026.
Na comparação com o ano anterior, a soja apresenta crescimento de 3,9%, alcançando uma estimativa de 172,5 milhões de toneladas. O feijão também registra leve alta, de 0,9%.
Por outro lado, o levantamento aponta quedas importantes em culturas relevantes. Entre elas estão o algodão herbáceo (em caroço), com recuo de 11,0%, o arroz em casca, com queda de 7,9%, e o milho, que registra retração de 5,6%. Também aparecem reduções no sorgo (-13,9%) e no trigo (-1,0%).
Área plantada cresce para soja e milho, mas recua em algodão e arroz
A projeção do IBGE indica expansão na área destinada a algumas das principais lavouras. A soja deve ter aumento de 0,5% na área colhida, enquanto o milho registra crescimento de 2,2%, puxado sobretudo pela alta de 9,3% no milho da primeira safra e de 0,5% no milho da segunda safra.
Já o trigo deve ter aumento de 0,9% na área colhida. Em contrapartida, as áreas destinadas ao algodão herbáceo (em caroço) devem cair 6,2%, ao arroz em casca 5,9%, ao feijão 1,4% e ao sorgo 2,9%.
Centro-Oeste lidera produção nacional e concentra quase metade do volume
O levantamento do IBGE mostra que o Centro-Oeste permanece como a região que mais contribui para a produção agrícola brasileira, com 167,5 milhões de toneladas, o equivalente a 48,9% do total previsto.
Em seguida aparecem:
- Sul: 95,3 milhões de toneladas (27,8%)
- Sudeste: 30,2 milhões de toneladas (8,8%)
- Nordeste: 28,2 milhões de toneladas (8,2%)
- Norte: 21,5 milhões de toneladas (6,3%)
Na comparação anual, houve variação positiva na produção no Sul (10,4%) e no Nordeste (1,8%), enquanto Centro-Oeste (-6,2%), Sudeste (-2,9%) e Norte (-3,7%) registraram recuos.
Já em relação ao mês anterior, o crescimento foi observado no Sul (0,2%), Norte (0,5%) e Centro-Oeste (1,6%). O Sudeste manteve estabilidade e o Nordeste apresentou leve queda de 0,4%.
Mato Grosso mantém liderança entre os estados produtores
O Mato Grosso segue como o maior produtor nacional de grãos, com participação de 30,3% do total estimado. Na sequência aparecem Paraná (13,9%), Rio Grande do Sul (11,8%), Goiás (10,6%), Mato Grosso do Sul (7,6%) e Minas Gerais (5,4%). Juntos, esses estados representam 79,6% da produção nacional projetada.
Soja deve atingir 172,5 milhões de toneladas e consolidar novo recorde
O IBGE projeta que a produção de soja em 2026 chegue a 172,5 milhões de toneladas, configurando um novo recorde na série histórica. O volume representa alta de 1,3% em relação ao terceiro prognóstico e crescimento de 3,9% frente ao resultado de 2025.
O levantamento também prevê aumento no rendimento médio anual, com avanço de 3,4%, chegando a 3.598 kg por hectare, equivalente a aproximadamente 60 sacas por hectare. A projeção indica ainda que a soja deve representar mais da metade de toda a produção de cereais, leguminosas e oleaginosas do país.
A área cultivada da oleaginosa deve atingir 48,0 milhões de hectares, aumento de 0,5% em relação ao ano anterior, com expansão estimada de 222,6 mil hectares, mesmo diante de preços considerados abaixo do ideal pelos produtores.
Estados produtores apresentam cenários distintos
O Mato Grosso, maior produtor nacional de soja, prevê colheita de 48,5 milhões de toneladas, alta de 3,8% em relação ao terceiro prognóstico, mas ainda com queda de 3,3% frente ao volume obtido em 2025.
Goiás deve alcançar 19,1 milhões de toneladas, com crescimento de 2,3% frente ao prognóstico anterior, mas retração de 5,8% em comparação ao ano passado. O estado apresenta alta de 0,5% na área plantada, mas queda de 6,3% no rendimento médio.
O Mato Grosso do Sul projeta produção de 15,0 milhões de toneladas, o que representa aumento de 14,0% em relação a 2025.
No Paraná, a expectativa é de colheita de 22,2 milhões de toneladas, consolidando o estado como o segundo maior produtor do país. A produção tem alta de 0,3% sobre o prognóstico anterior e crescimento de 3,9% em relação a 2025.
Já o Rio Grande do Sul projeta uma recuperação expressiva: 21,2 milhões de toneladas, aumento de 55,4% frente ao ano anterior. O rendimento médio deve crescer 57,5%, apesar de a área plantada apresentar queda de 1,4%. Segundo o IBGE, o estado havia sido fortemente impactado em 2025 pela falta de chuvas durante o ciclo da cultura.


