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Serviços crescem 0,1% em fevereiro e atingem nível recorde

Setor cresce 0,1% no mês e acumula 23 resultados positivos consecutivos na comparação anual

Cabos Ethernet usados ​​para conexão de internet (Foto: Reuters/Valentyn Ogirenko )

247 - O volume de serviços no Brasil registrou leve alta de 0,1% em fevereiro de 2026 na comparação com janeiro, mantendo o setor no maior nível da série histórica. O resultado foi impulsionado principalmente pelas atividades de informação e comunicação e pelo transporte de cargas, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), divulgada nesta terça-feira (14), o avanço foi sustentado pelo crescimento de 1,1% no segmento de informação e comunicação — com destaque para serviços de tecnologia da informação — e pela alta de 0,6% nos transportes, influenciada sobretudo pelo transporte rodoviário de cargas.

O analista do IBGE Luiz Carlos de Almeida Junior destacou o papel crescente da tecnologia no desempenho do setor. “Os serviços de Informação e Comunicação foram os que mais influenciaram o resultado na variação contra o mês imediatamente anterior e na variação contra o mesmo período do ano passado. Esse protagonismo do setor de informação e comunicação vem se consolidando desde o período pós-pandemia, influenciando o ritmo do setor de serviços como um todo”, explicou.

No recorte mensal, três das cinco atividades analisadas apresentaram crescimento. Além da informação e comunicação e dos transportes, os serviços prestados às famílias avançaram 1,4%, recuperando parte da queda registrada em janeiro. Por outro lado, os serviços profissionais, administrativos e complementares recuaram 0,3%, acumulando a terceira taxa negativa consecutiva. Já o grupo de outros serviços caiu 0,4%.

No setor de transportes, o desempenho foi puxado principalmente pelo transporte rodoviário de cargas, além de atividades ligadas à logística e ao transporte metroferroviário. Em sentido contrário, o transporte aéreo de passageiros exerceu influência negativa. “O transporte de cargas mostrou um crescimento de +0,9%, enquanto o transporte de passageiros assinalou estabilidade (0,0%)”, detalhou o analista.

Na comparação com fevereiro de 2025, o setor de serviços cresceu 0,5%, marcando o 23º resultado positivo consecutivo. O avanço foi acompanhado por três das cinco atividades analisadas e por 44,6% dos 166 tipos de serviços investigados.

O principal destaque positivo nessa base de comparação foi novamente o segmento de informação e comunicação, com alta de 4,9%, impulsionado por serviços como consultoria em tecnologia da informação, hospedagem na internet e desenvolvimento de softwares sob encomenda. Também contribuíram os serviços prestados às famílias (4,2%) e os serviços profissionais e administrativos (0,8%).

Em contrapartida, os transportes registraram queda de 2,8% na comparação anual, pressionados principalmente pela redução nas receitas do transporte aéreo de passageiros e da logística de cargas. Outros serviços também recuaram 2,8%.

No cenário regional, 13 das 27 unidades da federação apresentaram crescimento na passagem de janeiro para fevereiro. O Rio de Janeiro liderou os impactos positivos, com alta de 1,0%, seguido por Bahia, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul. Já São Paulo teve a principal influência negativa, com queda de 0,4%.

“Este resultado está ligado a um aumento nos serviços audiovisuais, atividades jurídicas e de edição no Rio de Janeiro. Já São Paulo teve queda ligada à seleção de mão de obra, transporte aéreo e serviços de TI”, explicou Almeida Junior.

No turismo, o cenário foi de retração. O índice de atividades turísticas caiu 0,9% em fevereiro, acumulando três meses seguidos de queda e perda total de 1,7% no período. Ainda assim, o segmento permanece acima do nível pré-pandemia.

O analista destacou fatores específicos para o recuo recente. “O que essa queda indica é que há outros fatores específicos que influenciam a redução no volume de serviços nestes últimos três meses, já descontada a sazonalidade esperada. Neste mês a principal influência nesta queda veio do transporte aéreo de passageiros”, afirmou.

No detalhamento dos transportes, o segmento de passageiros ficou estável em fevereiro, após três meses de queda, enquanto o transporte de cargas voltou a crescer, com alta de 0,9%, recuperando parte das perdas anteriores.

Com o resultado, o setor de serviços acumula crescimento de 2,7% nos últimos 12 meses, mantendo uma trajetória de expansão moderada, sustentada principalmente pelo avanço das atividades ligadas à tecnologia e à logística.

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