Super-ricos ampliam fortunas em ritmo recorde e somam US$ 2,2 trilhões em 2025
Alta dos mercados globais, Big Tech e ativos alternativos impulsionam riqueza bilionária, com ganhos concentrados em poucos nomes
247 - Os 500 indivíduos mais ricos do planeta registraram, em 2025, o maior avanço de patrimônio já contabilizado, adicionando conjuntamente US$ 2,2 trilhões às suas fortunas. O resultado reflete um ano de forte valorização de diferentes classes de ativos, que incluiu ações, criptomoedas e metais preciosos, elevando o patrimônio combinado desse grupo a US$ 11,9 trilhões.
Os dados constam do Bloomberg Billionaires Index, que atribui parte relevante desse desempenho ao cenário político e financeiro dos Estados Unidos após a vitória eleitoral de Donald Trump, atual presidente do país, no fim de 2024. Segundo o levantamento, o movimento positivo foi interrompido apenas de forma pontual em abril, quando temores relacionados a tarifas provocaram uma forte queda nos mercados e a maior perda diária de riqueza desde o período da pandemia.
O avanço foi liderado principalmente pelo setor de tecnologia, impulsionado pelo entusiasmo em torno da inteligência artificial. Empresas de grande capitalização nos Estados Unidos puxaram a valorização, concentrando uma parcela expressiva dos ganhos em poucos bilionários. Aproximadamente um quarto de toda a riqueza adicionada no ano ficou nas mãos de apenas oito pessoas, entre elas Larry Ellison, da Oracle, Elon Musk, da Tesla, Larry Page, do Google, e Jeff Bezos, da Amazon. Ainda assim, essa concentração foi menor do que em 2024, quando o mesmo grupo respondeu por 43% dos ganhos totais.
No início do ano, Elon Musk aparecia como o nome mais destacado entre os super-ricos. O empresário se tornou um ator político de peso ao doar cerca de US$ 300 milhões para a campanha de reeleição de Donald Trump e passou parte de 2025 em Washington, atuando diretamente nas iniciativas de corte de gastos do governo. Esse envolvimento político, porém, coincidiu com um período de queda nas ações da Tesla, pressionadas também por reações negativas de consumidores.
Apesar da projeção de Musk, foi Larry Ellison quem dominou as manchetes ao longo do ano. O cofundador da Oracle se beneficiou de uma forte alta das ações da empresa, impulsionada pelos investimentos em infraestrutura de inteligência artificial. Em setembro, Ellison chegou a ultrapassar Musk e se tornar, temporariamente, o homem mais rico do mundo. Mesmo com a posterior queda de cerca de 40% nos papéis da Oracle, ele encerrou o ano em evidência por seu envolvimento na tentativa de aquisição da Warner Bros. Discovery por um grupo liderado por seu filho, David Ellison.
Os ganhos não se restringiram aos Estados Unidos. Enquanto o índice S&P 500 acumulou alta de 17% até 30 de dezembro, o FTSE 100, do Reino Unido, avançou 22%, e o Hang Seng, de Hong Kong, subiu 29%. Metais preciosos tiveram um dos melhores desempenhos das últimas décadas, impulsionados pela busca por ativos considerados seguros, enquanto cobre e terras raras ganharam importância estratégica no contexto geopolítico, beneficiando grandes detentores desses recursos.
O mercado de criptomoedas também apresentou forte volatilidade. O bitcoin atingiu máximas históricas após a eleição de Trump e avançou com a adoção de políticas favoráveis ao setor pelo novo governo. No entanto, uma queda acentuada a partir de outubro eliminou os ganhos acumulados no ano, afetando significativamente o patrimônio de investidores bilionários ligados ao setor.
Entre os maiores vencedores de 2025, Larry Ellison encerrou o ano com fortuna estimada em US$ 249,8 bilhões, após um ganho anual de US$ 57,7 bilhões. Elon Musk, por sua vez, viu seu patrimônio chegar a US$ 622,7 bilhões, com alta de US$ 190,3 bilhões, impulsionado pela valorização da SpaceX e pela aprovação de um novo pacote de remuneração na Tesla. A australiana Gina Rinehart também se destacou, com aumento de US$ 12,6 bilhões em sua riqueza, beneficiada pela valorização de ativos ligados a minerais estratégicos.
A família de Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos, também ampliou seu patrimônio, estimado em US$ 6,8 bilhões, com crescimento anual de US$ 282 milhões, apoiado em investimentos no setor de mídia e em iniciativas ligadas ao mercado de criptomoedas.
Do lado das perdas, alguns nomes registraram quedas expressivas. O filipino Manuel Villar perdeu cerca de US$ 12,6 bilhões após o colapso das ações de sua empresa imobiliária. Bob Pender e Mike Sabel, fundadores da Venture Global, viram suas fortunas encolherem em meio ao desempenho frustrante da abertura de capital da companhia. Já Michael Saylor sofreu perdas relevantes com a queda do bitcoin, enquanto Wang Xing, da chinesa Meituan, foi impactado pelo enfraquecimento do consumo interno e pela concorrência acirrada no setor de entregas.
O balanço de 2025 revela um ano de contrastes para os super-ricos, marcado por ganhos históricos, mas também por perdas abruptas, em um cenário global de intensa volatilidade financeira e mudanças estruturais nos mercados.
