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“A PEC quer adiar a escala 5x2”, diz Veneziano

Veneziano Vital do Rêgo acusa setores da oposição de usar proposta alternativa para atrasar mudanças na jornada de trabalho.

Manifestação pelo fim da escala 6x1 e Davi Alcolumbre (Foto: Imagem gerada por IA (Imagens: Agência Brasil / Agência Senado))
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247 - O senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB-PB) afirmou que a proposta alternativa apresentada por parlamentares da oposição para discutir a jornada de trabalho tem como principal objetivo retardar a tramitação da proposta que estabelece a escala 5x2 e, ao mesmo tempo, reduzir garantias dos trabalhadores nas relações de emprego.

Durante entrevista ao Bom Dia 247, o parlamentar declarou apoio à proposta aprovada na Câmara dos Deputados e defendeu que o Senado preserve o conteúdo original do texto, sem alterações que modifiquem seus objetivos centrais.

Segundo Veneziano, a mudança na jornada representa uma medida voltada à melhoria das condições de vida dos trabalhadores brasileiros, permitindo mais tempo para convivência familiar, descanso e cuidados com a saúde física e mental.

“A matéria que veio da Câmara deveria ser defendida por nós para que ela não seja desnaturada, desvirtuada ou distorcida no seu objetivo principal”, afirmou.

O senador criticou a proposta apresentada pelo senador Rogério Marinho (PL-RN), que prevê regras diferentes para a negociação da jornada de trabalho. De acordo com Veneziano, o texto cria mecanismos que favorecem negociações individuais entre empregado e empregador, reduzindo o papel da representação coletiva.

Para o parlamentar, esse modelo amplia a desigualdade existente na relação trabalhista.

“A proposta quer que o acordo seja dado de forma individual e que o pagamento seja proporcional à hora trabalhada. Isso fragiliza ainda mais a condição do trabalhador ante ao empregador”, disse.

Veneziano afirmou que a iniciativa se insere na mesma lógica da reforma trabalhista aprovada em anos anteriores, à qual se opôs quando o tema foi debatido no Congresso Nacional. Na avaliação dele, o momento deveria ser utilizado para ampliar direitos e não para reduzir mecanismos de proteção.

O senador também associou a resistência à escala 5x2 ao cenário eleitoral de 2026. Segundo ele, setores ligados ao bolsonarismo enxergam a proposta como uma medida que pode fortalecer politicamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva junto aos trabalhadores.

“Eles entendem que essa proposta pode significar, eleitoralmente, mais um elemento positivo na caminhada do presidente Lula à reeleição”, declarou.

Além da disputa política, Veneziano apontou divergências ideológicas como fator central do debate. Segundo ele, grupos que defendem posições econômicas ultraliberais estariam aproveitando a discussão para tentar aprofundar mudanças nas relações trabalhistas.

O senador argumentou que experiências internacionais demonstram que modelos com jornadas reduzidas podem produzir resultados positivos tanto para trabalhadores quanto para empresas. Para ele, o Brasil não está propondo uma experiência inédita, mas acompanhando tendências já observadas em outros países.

Veneziano afirmou que o Congresso precisa avançar na discussão sem permitir que a proposta seja descaracterizada. Segundo ele, a manutenção do texto original é fundamental para garantir que a mudança produza os efeitos esperados na qualidade de vida dos trabalhadores.

“A gente precisa entregar essa matéria sem desvirtuar seu propósito principal, que é garantir mais dignidade e melhores condições para milhões de trabalhadores brasileiros”, concluiu.

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