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Amauri Chamorro: Espriella é pior do que Bukele e Milei

Espriella unificou setores conservadores e construiu uma campanha que, segundo Chamorro, supera Milei e Bukele em radicalização

Abelardo de la Espriella (Foto: Reuters)
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247 - O consultor e estrategista político Amauri Chamorro avaliou que o candidato da extrema direita colombiana Abelardo de Espriella representa um risco político superior ao de líderes como Javier Milei, na Argentina, e Nayib Bukele, em El Salvador. Em entrevista ao programa Boa Noite 247, Chamorro afirmou que o advogado colombiano construiu uma candidatura apoiada por setores do uribismo, do paramilitarismo e por uma campanha de grande capacidade comunicacional, tornando-se o principal adversário do campo progressista na disputa presidencial colombiana.

Segundo Chamorro, Espriella consolidou uma trajetória política ligada à defesa de figuras associadas ao paramilitarismo, ao narcotráfico e ao ex-presidente Álvaro Uribe. O estrategista destacou que o candidato faz declarações públicas contra a esquerda e construiu uma imagem baseada em símbolos de força e enfrentamento.

“É um homem da extrema direita colombiana que fez a sua carreira representando importantes setores do paramilitarismo, do narcotráfico e assessorando Álvaro Uribe”, afirmou.

Para Chamorro, o diferencial da candidatura não está apenas no discurso, mas na capacidade de mobilização política e eleitoral construída ao longo dos últimos meses. Ele observou que Espriella conseguiu unificar diferentes segmentos da direita colombiana, desde setores de centro-direita até grupos mais radicalizados, formando uma frente ampla contra o governo de Gustavo Petro.

O consultor ressaltou que o candidato saiu das últimas posições nas pesquisas das pré-candidaturas para a liderança eleitoral por meio de uma estratégia baseada em coleta de assinaturas, mobilização territorial e forte presença comunicacional. Sem partido político próprio, Espriella utilizou o mecanismo legal de candidaturas independentes para entrar na disputa e ampliou sua influência em regiões controladas por lideranças tradicionais da política colombiana.

Na avaliação de Chamorro, a campanha da extrema direita foi construída sobre três pilares principais: recursos financeiros abundantes, alianças regionais e uma comunicação voltada para o sentimento antipetrista existente em parte significativa do eleitorado colombiano.

“O volume de dinheiro investido na campanha dele é estrondoso. O oficial e o não oficial. Além disso, ele conta com uma estrutura territorial dos caciques políticos colombianos e uma campanha comunicacional impecável”, afirmou.

O estrategista destacou que Espriella soube explorar elementos populares da cultura política local. Um dos exemplos citados foi a adoção da imagem do “tigre” como símbolo de campanha. Segundo Chamorro, os jingles eleitorais utilizavam referências às torcidas organizadas colombianas e buscavam criar identificação emocional com o eleitorado.

Para ele, essa combinação de linguagem popular, recursos financeiros e organização territorial permitiu ao candidato crescer rapidamente e absorver eleitores de outras candidaturas da direita, especialmente após o enfraquecimento da campanha de Paloma Valencia, ligada ao uribismo.

Chamorro afirmou que o fenômeno Espriella vai além das comparações frequentes com Milei e Bukele. Segundo ele, o contexto colombiano torna a candidatura mais preocupante devido à presença histórica de grupos armados e estruturas paralelas de poder.

“Se tem algo que classifica Abelardo de Espriella, é que ele é uma espécie de combinação de Milei com Bukele. Mas eu diria que ele é muito mais perigoso que os dois”, declarou.

O consultor argumentou que a radicalização do discurso ocorre em um país que convive há décadas com conflitos armados internos e onde ainda existem organizações paramilitares com capacidade de atuação política e territorial.

“Milei, ao lado de Espriella, é um cara de centro-esquerda. Espriella é muito mais radical, muito mais violento e muito mais perigoso em um país que possui um exército paralelo, que são os paramilitares armados”, afirmou.

Para Chamorro, a força eleitoral alcançada pela candidatura de Espriella demonstra que a extrema direita colombiana conseguiu organizar uma estratégia nacional capaz de disputar o poder com chances reais de vitória. A avaliação do estrategista é que o segundo turno será definido pela capacidade do campo progressista de ampliar sua base eleitoral para além do eleitorado tradicional do petrismo.

Enquanto isso, segundo ele, a candidatura da extrema direita chega à etapa decisiva da disputa sustentada por uma estrutura política consolidada, recursos abundantes e um discurso que conseguiu mobilizar amplos setores do eleitorado colombiano.

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