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“Brasil exporta riqueza e importa dependência”, diz Alysson Mascaro sobre terras raras

Para o professor e jurista, o país precisa retomar soberania sobre recursos estratégicos para avançar na sua independência econômica

Alysson Mascaro

247 - O jurista e professor Alysson Mascaro afirmou que o Brasil continua preso a um modelo econômico que envia riquezas ao exterior e recebe de volta dependência política e tecnológica. 

Em entrevista ao programa Brasil Agora, da TV 247, Mascaro analisou a disputa por terras raras, criticou a subordinação brasileira aos Estados Unidos e comentou a relação comercial com a China, relacionando com o legado de Tiradentes e o sentido atual da independência nacional.

Segundo o professor, o Brasil ocupa posição periférica no sistema internacional, baseada principalmente na exportação de commodities e recursos naturais sem industrialização avançada.

“Na divisão internacional do trabalho, o Brasil já está colocado numa posição subalterna, seja pelos Estados Unidos, seja pela China”, enfatizou ele, afirmando que essa estrutura impede o fortalecimento econômico e tecnológico nacional.

Alysson Mascaro também comentou a recente aquisição de reservas de terras raras em Goiás para uma empresas estadunidense. 

Esses minerais são estratégicos para setores como tecnologia, defesa, energia limpa e indústria eletrônica. Na avaliação do jurista, o debate vai além da mineração e envolve diretamente soberania nacional e defendeu que o Brasil utilize seus recursos naturais para promover industrialização e autonomia estratégica.

“Defendendo terras raras, daqui a pouco a gente unifica a Petrobras sob soberania nacional”, frisou.

Mascaro afirmou que, embora o Brasil mantenha forte comércio com a China, a dependência política e institucional em relação aos Estados Unidos seria mais profunda.

“O Brasil não tem 50% de submissão à China e 50% de submissão aos Estados Unidos. Ele tem submissão quase avassaladora para os Estados Unidos”, advertiu, ressaltando que qualquer projeto brasileiro de independência econômica tende a enfrentar resistências externas.

“Toda mobilização soberanista do Brasil parcialmente afeta negócios com a China. A grande perda é dos Estados Unidos”, destacou.


Tiradentes e a independência inacabada

Alysson Mascaro relacionou o feriado de Tiradentes, de 21 e abril, ao momento atual do país e afirmou que o processo de independência ainda não foi plenamente concluído.

“Até hoje, nós não somos 100% verdadeiramente independentes”, disse o professor. “Tiradentes só é contado como herói a partir da Proclamação da República”, lembrou Mascaro, destacando que mesmo assim, Joaquim Jose da Silva Xavier tem sua relevância histórica.

“Tiradentes é uma figura muito honrada, é um herói da história do Brasil”, salientou o jurista. Ele acrescentou reforçando a necessidade de mobilização popular e de um projeto nacional capaz de romper a dependência histórica.

“Esta luta só continua. E eu vou dizer: ela está no começo. Há muita esperança ainda”, concluiu.

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