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"Congresso pode ser o maior risco para Lula em 2026", analisa cientista político

Antonio Augusto de Queiroz analsa pesquisa Quest revela cenário de polarização, desafios econômicos e disputa pelo Congresso às vésperas da eleição

"Congresso pode ser o maior risco para Lula em 2026", analisa cientista político (Foto: Reprodução)

247 - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece como líder em todos os cenários de primeiro turno para a eleição presidencial de 2026, segundo a mais recente pesquisa Quaest, divulgada nesta semana. A leitura política dos números foi feita pelo cientista político Antônio Augusto Queiroz (Toninho), ex-diretor do DIAP (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar), durante o programa Brasil Agora da TV 247.

A pesquisa mostra que, mesmo com indicadores econômicos positivos, como controle da inflação, geração de empregos e crescimento da renda, o governo Lula ainda enfrenta resistência significativa na opinião pública, reflexo direto da polarização política e da desinformação digital.

De acordo com a Quaest, o governo Lula chega a janeiro de 2026 com 49% de desaprovação e 47% de aprovação, praticamente os mesmos números registrados um ano antes, apesar da melhora objetiva da economia.

Para Toninho, esse descolamento entre realidade econômica e percepção popular se explica por fatores políticos e comunicacionais, “A gente vive um momento no Brasil muito conturbado em que os fatores emocionais se sobrepõem aos fatores reais. E muita fake news, muita desinformação, especialmente no que diz respeito à economia”, afirma.

Ele também apontou ações do sistema financeiro e do Banco Central como fatores que interferiram negativamente na percepção pública.

“Houve um período em que a inflação e o dólar dispararam em razão de ações de adversários ocupando espaço no interior do governo… como Roberto Campos Neto… e as agências reguladoras, que aumentaram tarifas sem necessidade”, destacou ele, se referindo ao aumento das tarifas de energia, por exemplo.

Toninho fez um alerta sobre a política monetária: “O Galipolo [presidente do Banco Central] está demorando demais a iniciar a redução dessa taxa de juros. Há um risco sério de que haja decréscimo, ou seja, o PIB fique abaixo de zero. Isso seria muito ruim no momento que antecede a eleição”. Ele acrescentou: “É completamente absurdo o Banco Central não baixar o juro porque o emprego está crescendo”

O cientista político apontou que a preocupação será nas eleições legislativas. No Senado, "a extrema-direita, para alcançar a maioria absoluta, precisaria de dezesseis cadeira, isso é realmente preocupante”.

E sobre a Câmara: “Vai haver uma consolidação do Centrão… usando a máquina poderosa para a reeleição, que são as emendas impositivas.”

Ele explicou por que a renovação será baixa. “O próximo presidente da República terá que ter a estatura de um presidente Lula porque se não tiver, vai acontecer o que aconteceu com o Bolsonaro: entregar para o Congresso a direção do país”.

Nos cenários estimulados da pesquisa Quaest, Flávio Bolsonaro aparece como o principal nome do campo bolsonarista, superando governadores como Tarcísio de Freitas, Ratinho Júnior e Romeu Zema.

Toninho afirma que "Flávio é herdeiro natural dos votos do Bolsonaro” e destacou o peso político desse cenário.

“Na hipótese de o Flávio vir a ser eleito presidente da República, seu ministro da Defesa será Jair Bolsonaro. O ministro de Relações Exteriores será o Eduardo Bolsonaro. O ministro da Justiça será um Derrite. Só gente que atentou contra a democracia”, lembrou.

Segundo ele, isso favorece Lula. “Tendo o Flávio como candidato, a reeleição do presidente Lula, na minha avaliação, fica muito mais facilitada,”, argumenta Toninho, que afirma que se o adversário for Tarcísio, a estratégia muda. “O Tarcísio vai se apresentar como alguém tecnicamente preparado e a campanha do presidente Lula vai ter que ser mais ideológica”, disse.

Toninho ressaltou a força diplomática do presidente que presidiu o G20, os BRICS, houve o acordo do Mercosul, realizou uma COP bem-sucedida. "Reinseriu o Brasil de modo soberano”, destacou;

E resumiu: “Vai apresentar um legado nessa campanha muito importante, que tem como pilares a justiça social e a inserção internacional soberana”.

Sobre a atuação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na garantia da lisura das eleições, que estará sob o comando dos ministros Kassio Nunes Marques e André Mendonça.  Toninho ponderou: “O Kassio Nunes terá que agir como magistrado, com neutralidade. Já tem ministro elaborando a resolução que vai tratar da relação das eleições com as big techs.

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