“Estamos nos aproximando da hora zero de uma guerra total contra o Irã”, alerta Pepe Escobar
Analista afirma que sinais militares, navais e de inteligência indicam preparação dos EUA para um ataque por terra, mar e ar
247 - O jornalista e analista geopolítico Pepe Escobar afirmou que o mundo pode estar às vésperas de um conflito de grandes proporções envolvendo diretamente os Estados Unidos e o Irã. Segundo ele, a combinação de movimentações militares, pressões econômicas e operações de inteligência sugere a aproximação do que definiu como uma “hora zero”, capaz de desencadear uma guerra de escala inédita no oeste da Ásia, com impactos globais duradouros.
As declarações foram feitas no programa Pepe Café, exibido no YouTube, no qual Escobar apresentou uma análise detalhada do atual cenário geopolítico, com base em informações que, segundo ele, foram obtidas diretamente no Irã e em conversas com analistas e autoridades locais.
De acordo com Escobar, o que está em curso vai além de retórica política ou de simples exercícios militares. Ele descreveu um possível plano coordenado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que incluiria um bloqueio naval ao Irã, entendido não apenas como ação militar, mas como uma ofensiva econômica prolongada. “Um bloqueio naval é um ato de guerra”, afirmou, destacando que o objetivo central seria desmantelar a economia iraniana e afetar também seus principais aliados estratégicos, como Rússia e China.
O analista explicou que a presença do porta-aviões USS Abraham Lincoln nas proximidades do Golfo Pérsico, somada à possibilidade do envio de uma segunda embarcação do mesmo porte, atende à doutrina militar norte-americana para sustentar uma campanha aérea de longo prazo. “Você precisa de dois porta-aviões com suas forças completas para lançar uma guerra aérea sustentável, não apenas um ataque pontual”, disse.
Escobar ressaltou que, ao contrário da imagem frequentemente difundida, o Irã passou décadas desenvolvendo uma estratégia naval assimétrica sofisticada, especialmente voltada para o Estreito de Ormuz. Ele citou a existência de milhares de minas navais, além de mísseis balísticos, mísseis de cruzeiro, drones kamikazes, pequenos submarinos e lançadores móveis distribuídos ao longo da costa e em ilhas fortificadas. “A capacidade iraniana de causar perdas sérias é múltipla e em vários níveis”, afirmou.
Outro ponto destacado foi o surgimento de um “comboio misterioso” no Líbano, formado por cerca de 20 veículos pretos sem identificação, que teriam atravessado a Síria e a Jordânia antes de entrar no país. Para Escobar, trata-se de um indício claro da presença de forças especiais e de inteligência dos Estados Unidos em Beirute, possivelmente para integrar operações no teatro libanês a uma ofensiva mais ampla contra o Irã. “Isso sugere que não se trata apenas de uma guerra aérea, mas de um cenário que pode incluir também operações terrestres”, avaliou.
No campo da inteligência e da tecnologia militar, o analista chamou atenção para o deslocamento de uma aeronave estratégica norte-americana conhecida como E-11A BACN. Ele descreveu o equipamento como um “roteador voador”, responsável por conectar, em tempo real, aeronaves de ataque, forças terrestres e navios, superando obstáculos geográficos como as cadeias montanhosas iranianas. “Esse sistema é o nervo que conecta os músculos de uma operação conjunta de terra, mar e ar”, afirmou.
Escobar também mencionou que o Irã teria desligado radares civis e militares em pontos estratégicos, incluindo o principal aeroporto internacional do país, como medida defensiva para reduzir a vulnerabilidade a mísseis que detectam emissões eletrônicas. Paralelamente, companhias aéreas europeias, como a KLM, suspenderam voos para o país por tempo indeterminado, o que, segundo ele, pode indicar alertas prévios emitidos por serviços de inteligência sobre o risco iminente de conflito.
No plano diplomático, o jornalista destacou o fechamento total do canal de diálogo entre Teerã e Washington. Ele citou o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, que teria se recusado a negociar com o enviado do governo Trump, descrevendo a situação como uma ameaça, e não como um processo diplomático. Para Escobar, isso sinaliza que o governo iraniano considera a confrontação praticamente inevitável.
Ao concluir sua análise, Pepe Escobar afirmou que as peças do tabuleiro geopolítico parecem estar quase todas posicionadas. “No espaço, o Irã entrou em silêncio; no mar, a armada americana já está praticamente em cima; em terra, forças de inteligência se movem para preparar o terreno”, disse. Para ele, o cenário desenhado é o de uma possível guerra direta contra o Irã, com consequências profundas para toda a região e para o sistema internacional.