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“Flávio Bolsonaro tem um telhado de vidro imenso”, diz Altamiro Borges

Altamiro Borges diz que Flávio Bolsonaro tem um telhado de vidro imenso e defende que a campanha explore rachadinhas, imóveis e ligações políticas

Jornalista Altamiro Borges (Foto: Reprodução/TVT)

247 - Altamiro Borges afirmou que Flávio Bolsonaro tem “um telhado de vidro imenso” e sustentou que essa fragilidade precisa ocupar o centro do debate político. Para o jornalista, ao dizer que o senador carrega passivos ligados às rachadinhas, ao patrimônio e à sua trajetória pública, o campo progressista não deveria evitar o confronto, mas sim expor de forma direta o que ele considera pontos vulneráveis da imagem do parlamentar.

As declarações foram dadas por Altamiro ao programa Giro das Onze, do Brasil 247, ao comentar o cenário eleitoral e a necessidade, segundo ele, de enfrentar a candidatura de Flávio Bolsonaro sem aceitar a construção de uma imagem moderada do senador. Na avaliação do jornalista, esse movimento exigiria recuperar episódios que ele considera decisivos para caracterizar o adversário político.

Ao desenvolver esse argumento, Altamiro afirmou que “o adversário se chama Flávio Bolsonaro” e disse que já não haveria espaço para hesitação sobre quem deve ser enfrentado no campo da direita. Em seguida, reforçou o eixo central de sua análise: “Esse adversário tem um telhado de vidro imenso”. A partir daí, passou a defender que a campanha contrária a Flávio Bolsonaro concentre esforços em temas que, segundo ele, o senador tem dificuldade de explicar publicamente.

Entre esses pontos, Altamiro destacou as suspeitas relacionadas ao caso das rachadinhas. “É preciso trazer de volta as rachadinhas”, afirmou. Na leitura do jornalista, o tema precisa reaparecer com força no debate porque, segundo ele, atinge diretamente a credibilidade política de Flávio Bolsonaro. Ao mencionar uma entrevista recente do senador, Altamiro disse que, quando questionado sobre o assunto, “ele se embananou todo” e tentou transferir responsabilidades a Fabrício Queiroz.

O jornalista sustentou que essa linha de defesa não resolve o problema político. “Se o Fabrício Queiroz, que era o chefe de gabinete, foi o responsável, o Flávio Rachadinha era um incompetente. Se ele está mentindo, pior ainda”, declarou. Em seguida, resumiu sua acusação em termos ainda mais duros: “Além de incompetente, roubou”. Ao longo da fala, Altamiro insistiu que esse ponto deveria ser apresentado de forma sistemática, como elemento de confronto político e eleitoral.

Altamiro também associou esse debate ao patrimônio de Flávio Bolsonaro. Para ele, não basta tratar apenas do caso das rachadinhas; seria necessário, segundo sua formulação, ampliar a cobrança pública. “O Flávio precisa explicar como que ele comprou 51 casas com dinheiro vivo”, disse. Na mesma linha, acrescentou que é preciso questionar “a mansão do Flávio” e as circunstâncias em torno desse patrimônio, sempre como parte de um processo de desgaste da imagem construída em torno do senador.

Outro ponto central de sua fala foi a crítica à tentativa de dissociar Flávio Bolsonaro do sobrenome e do campo político do qual faz parte. Altamiro rejeitou a ideia de que o senador possa ser apresentado como uma figura conciliadora. “Não dá para silenciar”, afirmou, ao rebater a avaliação de que ataques poderiam fortalecer o adversário. Em sua interpretação, o silêncio favorece justamente a narrativa que ele combate: “Não existe Flávio moderado”.

Ao radicalizar a crítica, o jornalista resumiu sua posição em uma frase direta: “Que Flavinho porra nenhuma. Isso é um fascista e precisa ser desmascarado”. Em seguida, acrescentou que a estratégia deveria passar por desmontar a tentativa de suavização de sua imagem pública. Para Altamiro, esse processo exige insistência, repetição e confronto aberto. “Campanha é demarcação”, afirmou, ao defender que a disputa política deve deixar nítidas as diferenças entre os campos em confronto.

Na parte final de sua análise, Altamiro argumentou que esse embate não pode ficar restrito a uma crítica genérica ao bolsonarismo. Para ele, a personificação do conflito em Flávio Bolsonaro se tornou inevitável. Por isso, voltou a resumir sua tese: “Esse cara precisa ser desmontado”. A formulação condensa a linha que guiou toda a sua participação no programa: a de que as vulnerabilidades atribuídas ao senador, especialmente em torno das rachadinhas e do patrimônio, devem ser trazidas para o centro da disputa política.

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